
“Asseguro, sem vacilação, que é possível conciliar política e ética...”
(Mário Covas)
“Não dá para começar uma campanha se o partido não estiver unido”
(Mário Covas)
Mário Covas foi um homem público exemplar. Possuia atributos como honestidade, ética e moral, que contribuiram para o rompimento do senso comum de que toda a classe política era desonesta.
Entretanto, depois de conviver tantas anos com o perene Covas, sua esposa nada aprendeu.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo(A6 – 05/03/2006), a Sra. Lila Covas, certamente numa concentração chico xavieriana, na mesma linha do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou seja, seguindo na contramão do conceito de concertação entre política e ética de Mário Covas e fazendo grande esforço para dividir o partido, revela quem é o candidato de Mário Covas para disputar a presidência da República se declarando bastante emotiva.
“O candidato de Mário Covas à Presidência da República seria o governador Geraldo Alckmin... se ele for escolhido como o nome tucano, vou fazer campanha no Brasil inteiro”
Notadamente, Chico Xavier deixou continuadores de sua obra. Estou pensando em fazer uma consulta. Por outro lado, se Serra for o candidato, a Sra. Covas não fará campanha para elege-lo.
“Eu sempre apelei para o lado humano. Acho que a mulher tem uma visão mais humana das coisas”
Enquanto Mário Covas se guiava pela razão(não deixando de atentar para o lado humano), sua esposa guia-se pela emoção. Talvez por isso prefira Alckmin como candidato. O que não significa dizer que o governador não é racional.
Segundo Geraldo Alckmin, discípulo de Mário Covas, este “transpirava espírito público”. É exatamente espírito público que falta ao governador que insiste em uma birra, teimosia indefinível, descabida e sem precedentes.
Quanto à discussão da viabilidade política e ética da candidatura de José Serra, é preciso destacar alguns pontos.
1)É extremamente vazia a argumentação de que Serra não pode se candidatar a presidente e deixar a prefeitura de São Paulo por ter assinado um termo de compromisso que se deu por pressões e imposições petistas.
2)Serra, quando assinou tal documento, não poderia adivinhar a conjuntura política atual em que foi descoberto a montagem do maior esquema de corrupção da história republicana brasileira;
3)José Serra foi eleito prefeito de São Paulo com pouco mais de 3.300.000 votos. Esses eleitores paulistanos reconhecem Serra com um grande prefeito, entretanto desejam que Serra seja Presidente da República, notadamente por entender que ele tem um compromisso muito maior com o país e lá poderá fazer muito por São Paulo.
4)A candidatura de José Serra para presidente é a resposta ao chamamento maior, ao chamamento nacional.
5)É preciso pensar não somente no partido ao colocar como argumento anti-serra a saída da prefeitura e posterior assunção do vice-prefeito(que de acordo com entrevista dada ao jornal Estado de São Paulo) parece ser um ótimo administrador. Há que se pensar no Brasil. Todos conhecemos a história política de José Serra, bem como sabemos que poucos conhecem a economia brasileira como o prefeito de São Paulo. José Serra é o mais preparado.
Com muita propriedade, o ex-ministro e atual prefeito de Piracicaba/SP, Barjas Negri, disse em Encontro Regional partidário realizado em Piracicaba que o partido deve se unir, que o adversário é Lula e o PT.
Não conseguindo entender tal recado, talvez seja o caso de para o governador e aqueles que o apoiam com visão unívoca e promovem a desunidade, distribuirmos uma mamadeira com suco de chuchu... para eles pararem de chorar.