quarta-feira, agosto 30, 2006

Estou muito preocupado! Lula disse que construirá pessoalmente a governabilidade no segundo mandato.

Em textos anteriores, estudamos a orientação ideológica do PT e forma pela qual estruturou-se o maior esquema de corrupção da história republicana brasileira, ou seja, através da modificação na forma e natureza da corrupção, agora utilizando-se da "corrupção leninista" para aparelhar o Estado, desviar recursos públicos e financiar o "Moderno Príncipe", ou seja, o Partido dos Trabalhadores e, por consequência, seu projeto de poder.

No entanto, o presidente da República terceirizou o trabalho sujo contando com os serviços da direção executiva do PT liderados pelo "companheiro" José Dirceu. Julgando como incompetentes os companheiros nas incumbências que lhes foram dadas, Lula agora entendeu que se eleito tem todas as prerrogativas (direitos, privilégios, vantagens) dadas pela sociedade com sua reeleição - sejam lícitas ou não - e vai construir, com a posse do novo Congresso, pessoalmente a governabilidade. Isto me preocupa.

Por Vera Rosa e Vanice Cloccari, em O Estado de São Paulo: "Na cerimônia de lançamento de seu programa de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os problemas políticos do País serão resolvidos “na eleição” de 1.º de outubro. Em tom de quem será reeleito no primeiro turno, o presidente mostrou ontem confiança em dias melhores, afastou a crise do horizonte e disse que terá “vida nova” com a posse do novo Congresso porque construirá “pessoalmente” a governabilidade, acenando até mesmo na direção dos adversários. Deu a entender que a vitória contundente nas urnas vai blindá-lo contra crises políticas e institucionais. (...)" - Leia mais aqui

terça-feira, agosto 29, 2006

Carregado em generalidades, programa de governo petista destaca necessidade de crescimento mais acelerado, mas abandona metas quantitativas

Por Vera Rosa e Sérgio Gobetti, em O Estado de São Paulo: "O programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo mandato vai trocar o discurso inflamado da mudança na economia, contrário à armadilha fiscal, por compromissos mais políticos, que debitam na conta da "herança" recebida dos tucanos as restrições impostas até agora aos investimentos. A plataforma que será lançada hoje, em cerimônia com a presença de Lula, destaca a necessidade de crescimento mais acelerado, mas abandona a meta de 7% ao ano, prevista em 2002. Além disso, mantém inalterado o superávit primário - economia de gastos para pagamento dos juros da dívida. (...)

Nas ações classificadas como "prioritárias", o novo programa de Lula ressuscita a retórica da inclusão social como "eixo do desenvolvimento". O texto afirma que o esforço para estabilizar a economia deve cumprir os objetivos de "crescimento com distribuição de renda".Depois do escândalo do mensalão, a defesa da reforma política - que já constava no programa de 2002 - volta à cena em nova embalagem, muito mais vistosa. Ela agora integra o time das medidas prioritárias para a governabilidade. O conteúdo, porém, é o mesmo: a pregação da fidelidade partidária, do financiamento público de campanha e do voto em lista para cargos no Legislativo.(...)

Escaldado pelos efeitos perversos de promessas não cumpridas - como a de criar 10 milhões de empregos - e após assegurar que o governo do PT resgataria a vocação do Brasil para crescer 7% ao ano, Lula evitará metas quantitativas(...)" - Leia mais aqui

segunda-feira, agosto 28, 2006

Em apenas um mês, gasto com Bolsa-Família cresce 60%

Por Expedito Filho e Fernando Dantas, em O Estado de São Paulo: "O desembolso com o programa Bolsa-Família deu um salto de 60% em apenas um mês, saindo de R$ 597,7 milhões em junho para R$ 952,4 milhões em julho, período que coincidiu com a melhora da avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, apontada pelos institutos de pesquisa. No Nordeste, região de maior popularidade de Lula e onde ele obtém maiores intenções de voto, o aumento em julho foi ainda maior, atingindo 93% - de R$ 245,8 milhões para R$ 473,8 milhões. (...)

Até julho, os benefícios do Bolsa-Família consumiram R$ 4,3 bilhões, faltando aproximadamente R$ 4 bilhões para serem despendidos até o fim do ano. Até junho, porém, a média mensal era de R$ 577 milhões.A partir daí, a média mensal (para se desembolsar todos os recursos orçados para 2006) aumenta em 44%, para R$ 800 milhões, acompanhando meses eleitoralmente decisivos, como julho, agosto, setembro e, em caso de segundo turno, outubro.(...)" - Leia mais aqui

A tese do 1/3

Recente pesquisa Estado/Ibope confirma a tese do 1/3. Uma conjugação das pesquisas realizadas com eleitores no Estado de São Paulo e eleitores brasileiros ( incluindo os paulistas) explicita que 1/3 vota em Lulae 1/3 não vota em Lula de forma alguma - acredito que seja o atual eleitorado de Geraldo Alckmin -, restando 1/3 denominado desengajado.

Considerando a bipolarização entre os candidatos Lula e Geraldo - eles disputam este 1/3 - e a apática campanha deste último, assim como sua incapacidade de se mostrar como alternativa, entusiasmar até mesmo os companheiros partidários e conquistar os votos necessários, sou obrigado a assumir: Prevejo que tenhamos de aguentar o "Sapo-Barbudo Apedeuta" por mais quatro anos.

O tucanato, sobretudo o presidente Tasso, Fernando Henrique e Aécio Neves, deve estar se perguntando se a escolha por Geraldo Alckmin e não José Serra como candidato ao Planalto pelo PSDB teria sido equivocada. Eu respondo: Sim. Vocês erraram.

Em O Estado de São Paulo: "(...) A pesquisa Estado/Ibope em São Paulo apurou que 51% dos eleitores paulistas ainda estão indecisos e 9% deles prometem votar em branco ou nulo. (...)

(...) Mas quando vai escolher o futuro presidente, (...)os eleitores paulistas se definem com mais facilidade - tanto quanto a média nacional. Na pesquisa espontânea para presidente, 28% escolhem Lula e 27% apontam Alckmin. Os indecisos são 31% e 7% indicam que vão votar em branco ou nulo. Ou seja: há 38% de eleitores paulistas que se dizem desengajados.

Os eleitores brasileiros, na média, se enquadram em porcentuais bem parecidos. A pesquisa nacional Estado/Ibope, divulgada ontem, apontou que, na pesquisa espontânea, há 32% de eleitores indecisos e mais 7% que prometem votar em branco ou nulo, em todo o Brasil. Assim, o total de eleitores que se declaram desengajados no plano nacional é de 39% (incluídos os paulistas na ponderação)." - Leia mais aqui

sexta-feira, agosto 25, 2006

Estado brasileiro se apropria de quase 38% do PIB

Por Ribamar Oliveira, em O Estado de São Paulo: "Em 2005, a carga tributária bruta total (que inclui toda a arrecadação com impostos, contribuições, taxas e demais tributos da União, dos Estados e dos municípios) atingiu 37,37% do Produto Interno Bruto (PIB) (...)

A carga do ano passado é um novo recorde e ficou 1,49 ponto porcentual acima da registrada em 2004 (35,88% do PIB) e 1,76 ponto porcentual superior à de 2002 (35,61% do PIB). (...)

Quem mais contribuiu para o resultado foi a União, cuja arrecadação total atingiu R$ 507,17 bilhões, ou 26,18% do PIB." - Leia mais aqui

quinta-feira, agosto 24, 2006

Em período eleitoral, não poderia ser diferente: Cresce o gasto governamental

Por Adriana Fernandes e Fabio Graner, em O Estado de São Paulo: "Com a proximidade das eleições, as despesas do governo federal deram novo salto e aumentaram 12,9% em julho, em comparação com o mês anterior. De janeiro a julho, os gastos do governo Lula já cresceram 14,8%, enquanto as receitas subiram em ritmo menor: 11,1%. Apesar do aumento, apenas 2,6% do total de R$ 211,49 bilhões de despesas do período foram destinados para investimentos." (...) - Leia mais aqui

quarta-feira, agosto 23, 2006

Lula disse, mais uma vez equivocadamente, que a inflação de 2005 foi a mais baixa dos últimos dez anos. Ignorância, má fé ou, na verdade, a intenção do presidente era dizer que foi a menor da história por entender que a história tem como marco inicial as eleições de 2002?

Por Carlos Marchi, em O Estado de São Paulo: "O programa de televisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, errou ontem ao afirmar que o governo petista conseguiu "a inflação mais baixa dos últimos dez anos", provavelmente se referindo ao índice de 5,69%, em 2005, o menor do atual governo. Este, na verdade, é o terceiro índice mais baixo dos últimos dez anos; a mais baixa do decênio ocorreu no primeiro governo do seu arqui-rival Fernando Henrique Cardoso, em 1998, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 1,65%; a segunda mais baixa também foi no primeiro governo FHC, em 1997 (5,22%)." (...) - Leia mais aqui

domingo, agosto 20, 2006

Balança Comercial contribuirá, negativamente, para o desempenho do PIB

Por Márcia de Chiara, em O Estado de São Paulo: "Pela primeira vez desde 2000 o setor externo dará contribuição negativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por causa do real valorizado em relação ao dólar e da elevada taxa de juros, que mantém o câmbio baixo.Nas contas da LCA Consultores, o saldo das exportações e importações de produtos e serviços deve contribuir com 0,9 ponto porcentual negativo para o desempenho do PIB (...)

Segundo o economista da LCA, Braulio Borges, a contribuição negativa do setor externo é a maior desde 1995 (-3 pontos porcentuais) (...)" - Leia mais aqui
Estudo revela: Brasil prefere o assistencialismo financiador da pobreza, não cria condições básicas de desenvolvimento e, assim, torna o indivíduo dependente de um Estado excessivamente intervencionista


Por Sérgio Gobetti e Lígia Formenti, em O Estado de São Paulo: "Os governos municipais, estaduais e federal aplicaram no ano passado cerca de R$ 425 bilhões na área social, o maior gasto dos últimos 15 anos, mas 59% desse total foi despendido no pagamento de benefícios e transferências às famílias e só 41% foi para ações que efetivamente podem mudar a vida das pessoas. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pelo economista José Roberto Afonso, que faz uma radiografia completa das despesas dos governos em 2005. (...)

Os dados (...) mostram que o gasto social brasileiro é um dos maiores da América Latina, mas não tem a mesma qualidade de outros países com bons indicadores. (...)

No ano passado, os benefícios consumiram R$ 251,9 bilhões dos cofres públicos no Brasil, enquanto as chamadas 'ações estruturantes' (...) não passaram de R$ 173,1 bilhões.

'Estamos confundindo política social com assistencialismo'.(...) observa Afonso."
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Lula e o PT: indistintos

Em O Estado de São Paulo: "Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reabilitou ontem o vermelho e o número 13 do PT em seu terceiro programa eleitoral gratuito na TV. Nas duas edições anteriores, Lula havia eliminado o partido de sua biografia. Já ontem, o presidente-candidato surge em sucessivas cenas de comícios que fez desde o início da campanha pelo País, imagens que são povoadas por bandeiras vermelhas e brancas com o símbolo petista.(...)" - Leia mais aqui

Redução da atividade econômica industrial empurra a previsão do PIB para 3,5%

Por Márcia de Chiara, em O Estado de São Paulo: "O ritmo de atividade da indústria e do comércio começou o segundo semestre com o freio de mão puxado. (...)

Uma conjugação negativa de fatores, como juros reais elevados, crise agrícola, perda de dinamismo do setor exportador e aumento da inadimplência, jogou um balde de água fria nas expectativas positivas dos empresários para este semestre. (...)

o ritmo de produção e vendas de julho e agosto indica que a expansão de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), prevista pelo governo para 2006 é cada vez mais uma miragem. Em junho, a produção da indústria medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuou 1,7% na comparação com maio (...)

Neste mês, houve reação positiva em relação a junho e julho, dizem os empresários, mas ainda insuficiente para elevar a produção ao nível inicialmente previsto. Por isso, as consultorias reduzem as projeções tanto de produção industrial como do PIB deste ano. O mercado já trabalha com a previsão de crescimento de 3,5%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Há quem acredite que o PIB cresça 3%
." - Leia mais aqui

segunda-feira, agosto 14, 2006

Atividade Política, Ética e Eleições Presidenciais

A Política é inerente à natureza humana e à organização social. Um estudo científico, empírico, dos mais remotos grupos primitivos a mais complexa sociedade nos permite uma afirmação: a atividade política é claramente presente.

Os grupos sociais desenvolveram-se, evoluíram, surgiu o Estado. Nesse período, não é difícil descrever uma rudimentar atividade política e os determinantes da liderança – ora a força, ora a sabedoria, a inteligência, o desenvolvimento técnico. Mas como conceituar a atividade política na sociedade moderna e contemporânea?

Segundo João Ubaldo Ribeiro, em Política, “a Política passa a ser entendida como um processo através do qual interesses são transformados em objetivos e os objetivos conduzidos à formulação e tomada de decisões”, a canalização de interesses com a finalidade de obter decisões que afetam diretamente a coletividade e, indiretamente, o indivíduo. Participamos politicamente através do voto e da atividade política, sendo aquele parte integrante desta.

O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”, escreveu Arnold Toynbec. Na mesma linha, escreveu Edmund Burke: “tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam” .

Iniciada a campanha, estamos em processo eleitoral. Nos últimos dias (este artigo foi escrito antes do primeiro debate presidencial), os candidatos participaram de entrevistas no rádio e na TV que, como forma de elucidar o leitor-eleitor, passaremos a analisar, dando maior atenção para a entrevista de Lula, Presidente da República em exercício e apontado como reeleito. (lembrando que as estratégias políticas e principais propostas de governo dos candidatos podem ser lidas no Blog do Ewerton através do endereço: http://ewertonclemente.blogspot.com).

Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB, apresentou como base de seu programa de governo Trabalho, Renda e Ética. Tendo como objetivos precípuos crescimento e geração de trabalho e renda, foi muito bem quando apresentou números relativos à sua administração como a redução do número de homicídios em quase 45% entre 1999 e 2006. No entanto, ficou confuso e confundiu a todos quando não soube explicar a diferença entre as denúncias e casos de corrupção que envolveram Eduardo Azeredo quando candidato e Lula enquanto presidente.

Heloísa Helena, candidata pelo PSOL, apresentou-se como a “versão feminina” de Lula, afirmando que objetivos programáticos-partidários nada tem que ver com programa de governo, nos levando à conclusão de que utilizará do mesmo maquiavelismo petista para implementar seu projeto radical somente quando estiver no governo. Citou sobretudo a redução dos juros da economia brasileira, a luta pelo resgate ético-moral e pela democracia (?) como pontos de seu programa de governo. Retirou do guarda-roupa a vitrola esquerdista, ressuscitou chavões da esquerda estúpida (embora um pouquinho mais paz e a mor), definiu o socialismo como “a mais bela declaração de amor à humanidade” e declarou que “não há no Planeta Terra nenhuma experiência socialista”, buscando isentar a ideologia da carnificina empreendida.

Cristovam Buarque, candidato pelo PDT, trouxe como prioridade de seu programa de governo a Educação, apresentando um programa monotemático. Não falou na crise da Segurança Pública que atinge São Paulo, mas é nacional. Tentou desconstruir a relação direta entre a perda da reeleição pelo governo do DF e sua reprovação como governante, assim como a imagem de que é inteligente e criativo, mas não possui capacidade executiva. De uma forma um tanto quanto confusa, afirmou que não teve habilidade política no Ministério da Educação, mas que a teria na Presidência.

Luis Inácio Lula da Silva, candidato pelo PT, afirmou que pretende continuar fazendo o que fez nesses quatro anos. E foi, ao menos desta vez, coerente não definindo prioridades para seu governo, além do assistencialismo meramente eleitoral.

O casal que apresenta o JN, da Rede Globo de Televisão, lembrou da denúncia feita pelo Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, em que este fala de uma quadrilha de 40 integrantes tendo como cerne José Dirceu – leia-se Poder Executivo – e dirigentes executivos do PT e questionou se o presidente insistia na afirmativa de que desconhecia o esquema de corrupção conhecido como “mensalão”, assim como perguntou qual a garantia que ele dava de que não aconteceriam novos casos de corrupção envolvendo “companheiros”.

Em resposta, o presidente Lula mentiu, como, por exemplo, afirmando que havia demitido José Dirceu, verbalizou que os erros foram cometidos por pessoas e não pelo partido, assim como, estrategicamente, quis convencer a todos que a corrupção advém de outros governos, que estava “embaixo do tapete” e só apareceu porque decidiu por investigar.

Para discutir se esta “crise” é de pessoas, institucional ou estrutural – tomando como referência o Partido dos Trabalhadores – é necessário, antes de mais nada, estudar sua orientação ideológica.

Além de correntes marxistas, mistura submaquiavelismo sem precedentes e Totalitarismo Moderno destacando-se a teoria gramsciana para o Moderno Príncipe (leia-se o partido) em que este tem não só a prerrogativa, mas a incumbência de relativizar e definir aquilo que é virtuoso ou criminoso de acordo com suas necessidades e preferências. Em nome da causa, tudo é permitido. Inclusive o desrespeito à lei e ao Estado de Direito.

Notadamente, a corrupção brasileira é endêmica e reflete a própria sociedade. Não significa condescender, entretanto a corrupção que envolvia a classe política se resumia à apropriação privada de recursos públicos por alguns políticos, sendo combatida pela sociedade através do voto ou da participação política . Muito diferente é, segundo o professor Denis Lerrer, da UFRGS, a corrupção leninista, em que aparelha-se o Estado, com posterior desvios de recursos públicos para financiamento partidário.

O PT estruturou o maior esquema de corrupção jamais concebível na história da República, denunciando a natureza essencial petista. Portanto, tratando-se do PT, não há crise, há revelação. Assim como, de forma genérica, a crise política que se instalou no governo não possui fatores exógenos, nem é resultante de outros governos, ela nasceu neste governo e foi denunciada, não pelo Executivo, mas por seu fisiológico aliado: Roberto Jeferson.

Devemos insistir ainda na questão do Estado de Direito, visto que o presidente faz, demagogicamente, sua defesa. Um Estado de Direito deve garantir três direitos individuais básicos: o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Atenta contra eles quando incita conflitos no campo; quando se mostra complacente com “movimentos” inconsequentes ditos populares como o MST e outros; quando estabelece a oposição inexistente entre agricultura familiar e agronegócio; quando insiste no assistencialismo que conquista votos, mas que cria uma dependência excessiva do governo, já que este não oferece condições básicas de desenvolvimento.

É responsável direta e indiretamente pela ascensão e, quase, transmutação para um Estado de Natureza quando reduz os gastos com investimentos em segurança pública – referentes ao Fundo Nacional de Segurança Pública, Fundo Penitenciário Nacional e orçamentos da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal para operações nos estados – no Estado de São Paulo em 86,7%, considerando o período compreendido entre 2002 e 2005. Diretamente porque a segurança pública é uma questão nacional. Indiretamente porque, por consequência, não permite ao governo do Estado de SP fazer os necessários investimentos para, ao menos, minorar a situação problemática.

Por fim, pesquisa recente de um reconhecido instituto pergunta aos eleitores quais os requisitos que deve possuir um candidato para escolha do voto. A resposta é: 1º) Ética / Combate à Corrupção e 2º) Competência. E envia o seguinte recado aos políticos: Além de competência, um candidato deve, muito mais, reunir a capacidade de resgatar a ética e moralidade política.
Qual dos candidatos poderia faze-lo? Certamente, a resposta não é Lula.

Ewerton Clemente é estudante de Ciências Econômicas
na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)

domingo, agosto 13, 2006

Após revelar proximidade com o Partido dos Trabalhadores, PCC utiliza discurso esquerdista na tentativa de legitimar sua "causa" (?)

"Tudo o que ocorreu não foram rebeliões, nem badernas e sim revolução de todos os presos (...)" - GRITO DOS OPRIMIDOS ENCARCERADOS

"O que se vê há anos é descaso total para com o cidadão por parte daqueles que por eles são eleitos(...)" - CARTA AOS CIDADÃOS

Após revelar a proximidade entre as duas agremiações que se autodefinem como políticas, mas, na verdade, são criminosas - O PT e o PCC -, o Primeiro Comando da Capital está se apropriando, maquiavelicamente, da ideologia esquerdista e politizando seu discurso na tentativa de justificar suas ações.

Destaco ainda: Ficaria surpreso, se não tivesse estudado seu livro A Globalização e o Futuro da Humanidade ao ler que Leonardo Boff, um dos protagonistas da expansão das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil (CEB), tenta justificar o injustificável e prega o diálogo com insanos e terroristas (o que seu livro já explicita) como forma de minorar a violência.

Por Bruno Paes Manso, em O Estado de São Paulo: "'Grito dos oprimidos', 'revolução', 'libertação', 'caminhada', 'conscientização', 'excluídos', 'reparação das injustiças sociais' como justificativa para ataques e assassinatos. O Primeiro Comando da Capital (PCC) está se apropriando dos jargões usados pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e demais movimentos sociais marxistas que atuaram com força nas periferias de São Paulo nos anos 1970 e 80 na tentativa de elaborar um discurso que ofereça legitimidade à violência provocada nas últimas três ondas de ataques em São Paulo. (...)

A politização do discurso dos criminosos paulistas é vista como uma novidade no cenário da violência em São Paulo. 'São ainda falas toscas, mas que podem ser aprimoradas e ter um efeito persuasivo junto a uma parcela da população', avalia o professor de Filosofia e Ética da Universidade de Campinas (Unicamp), Roberto Romano. 'Isso é perigosíssimo. São falas que colocam ao jovem que ele não será simplesmente um ladrão de tênis ao aderir ao crime, mas um justiceiro. Assistimos à lenta e eficaz gestação de uma ideologia assassina.' (...)

A apropriação dessa linguagem pelos bandidos é estratégica. Os integrantes do PCC precisam se apresentar como injustiçados e, para isso, a construção de uma ideologia é fundamental."O filósofo define ideologia como discursos e representações que apresentam uma realidade complexa com enunciados simplistas, investindo contra os fatos em benefício próprio. (...) - Leia mais aqui

H2: ternura, bravura e loucura na TV

Por João Domingos, em O Estado de São Paulo, edição de hoje : "Uma morena de 44 anos, magra e pequena, vai abrir, às 13 horas de terça-feira, o horário eleitoral gratuito da campanha presidencial. Com sotaque nordestino, vai adotar um discurso semelhante ao que ajudou o atual ocupante do Palácio do Planalto a se eleger, dizendo que é hora de mudar de vez a história do País. 'Realizar o sonho de mais de 500 anos é possível. A hora é agora. Sou a alternativa de mudança para o Brasil', dirá Heloísa Helena Lima de Moraes Carvalho, a candidata do PSOL que vem surpreendendo nas pesquisas. (...)
'Vou procurar mostrar o que toda mulher brasileira tem: ternura e bravura', diz a candidata. Ao eleitor, vai se dirigir com ternura. Ao PT, que está no governo, e aos partidos de oposição como o PSDB e o PFL, será com bravura. Nos programas, quando falar de outros candidatos, fartará os eleitores de expressões como 'delinqüentes, vassalos, vendidos, moleques de recado, pilantras, bandidos e promíscuos'.
(...)Heloísa fará seus outros 18 programas baseada em três linhas de ação: críticas aos juros pagos ao sistema financeiro, busca da conquista de direitos sociais e ataques à corrupção..." - Leia mais aqui

Cristovam: monotemático e apático

Por João Domingos, em O Estado de São Paulo, edição de hoje: " 'A idéia que temos discutido com o candidato Cristovam é a de fazer uma campanha propositiva, sem xingar ninguém, sem raiva, sem ataques', conta ele. 'Será uma campanha bem-humorada, com muita computação gráfica.' Outro ponto acertado em comum acordo entre Cristovam e seus amigos foi o de que é preciso passar para a população a mensagem de que o programa de governo não é monotemático, ou seja, não ficará batendo somente na educação, mas partirá dela para buscar as soluções para todos os problemas.
Foi Cristovam quem criou o slogan da campanha - 'Educação é tudo'. Com o tema por base, o candidato e os jornalistas debatem as formas de avançar para as outras áreas (...)
Para tanto, citará os exemplos de Irlanda e Coréia, que há 30 anos se equiparavam ao Brasil na área da educação. Investiram no ensino e hoje exportam saber e tecnologia. Os programas vão procurar mostrá-lo como criativo e realizador. 'O governo Lula e o PT divulgam uma falsa imagem do candidato, de que ele é criativo mas nada realiza', diz Emediato. (...)" - Leia mais aqui

Alckmin: propostas de crescimento e renda e promessa de debate sobre ética e moralidade. Será?

Por Carlos Marchi, em O Estado de São Paulo, edição de hoje: "Trabalho e renda - este binômio será o pilar do conjunto de propostas que o candidato Geraldo Alckmin vai explorar em seus programas de televisão e rádio, nos quais vai apresentar idéias para criar pólos de desenvolvimento no interior. O primeiro programa de TV, gravado ontem, contará quem é o candidato, mostrando uma trajetória política que transitou por todos os cargos legislativos e executivos (...)

Nas edições seguintes, os programas passarão a ter dois vetores bem definidos. No principal deles, o candidato terá uma participação mais intensa e mostrará as suas propostas para o País; o segundo vetor abordará o que assessores de Alckmin chamam de 'princípios éticos e morais'. (...)

Na parte principal do programa, Alckmin apresentará propostas para o crescimento e geração de emprego, focando no agronegócio e na mineração (...)

Ele terá três números na ponta da língua para defender o agronegócio como uma das molas capazes de criar o que ele insistentemente rotula de 'oportunidades' no interior brasileiro: o setor representa 32% do PIB nacional, emprega 37% da força de trabalho e domina 42% das exportações..." - Leia mais aqui

Lula promete apresentar, agora, o governo que ninguém viu. Só ele.

Com um gasto de R$ 8,2 milhões, o que representa 9,21% do total do gasto máximo de campanha declarado, Lula e sua equipe vão "exibir no horário eleitoral 'o governo que ninguém viu'" tendo como slogan de campanha "Lula de novo. Com a força do povo"
Tendo por base o fato de que a maioria da população brasileira, equivocadamente, identifica a corrupção brasileira como um problema estrutural, sistêmico e entende que Lula nada tem que ver com os casos de corrupção como o mensalão e os sanguessugas, abordará a crise política que envolve o Planalto somente em último caso e jamais de forma direta, procurando manter a separação aparente entre o PT e o governo.
A idéia é apresentar em seus programas os números de seu governo sobretudo nas áreas social e de infra-estrutura, comparando também temas como emprego, salário e comércio exterior com os oito anos de governo do PSDB.
Por fim, resgata sua história petista e práticas políticas, utilizando de um terrorismo político-eleitoral afirmando que possui uma espécie de dossiê contra os tucanos que poderia ser usado caso "a artilharia do PSDB seja muito pesada". Ou é pura bravata para intimidar a direção de campanha. Ou é verdade, o que seria muito pior, pois revelaria que Lula e o PT estão muito pouco preocupados com a população, a ética e a moralidade política.
Por Vera Rosa, em O Estado de São Paulo, edição de hoje: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma missão ao publicitário João Santana: exibir no horário eleitoral 'o governo que ninguém viu' por causa da crise política. Com essa estratégia, o programa de Lula que estréia na terça-feira será amparado por uma estrutura narrativa, enumerando os 'resultados' de sua administração. Sai de cena o estilo glamouroso de Duda Mendonça e entra no ar uma propaganda mais pragmática, com depoimentos que lembram a novela Páginas da Vida. Menos PT e mais governo.
A crise que atingiu o Palácio do Planalto e destruiu a bandeira da ética carregada pelo PT em outras campanhas será abordada apenas em último caso e, mesmo assim, de forma indireta. Pesquisas qualitativas encomendadas por João Santana indicaram que os escândalos do mensalão e dos sanguessugas não colaram no presidente. (...)
Se for provocado pelo adversário do PSDB, Geraldo Alckmin, Lula insistirá em que sua gestão foi a que mais investigou e puniu. Detalhe: o governo armazenou denúncias de corrupção que teriam sido 'engavetadas' na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Em conversas reservadas, petistas dizem ter uma espécie de dossiê, que somente será usado se a artilharia do PSDB for muito pesada.
ÂNCORA
Com 7 minutos e 21 segundos, o programa de TV da coligação 'A Força do Povo' (PT, PC do B e PRB) terá o presidente-candidato como âncora, mas também contará com apresentadores. A idéia é comparar indicadores produzidos em quase quatro anos da era Lula - como emprego, salário e saldo comercial - com os oito do governo 'deles', como o presidente se refere às duas gestões de Fernando Henrique (1995 a 2002). (...)
Embalado pelo baião 'Lula de novo. Com a força do povo', o horário político mostrará muitas cenas de Lula nas ruas. Serão exibidas, ainda, várias 'realizações' do governo: dos programas sociais, como Bolsa-Família e Luz para Todos, às obras de infra-estrutura em hidrelétricas, portos e estradas. No estilo prestação de contas, o presidente dirá que, se um mandato valeu a pena, quer mais uma chance para fazer 'mais e melhor'. (...)
Longe dos tempos em que o vermelho do PT predominava na propaganda de Lula, o tom escolhido por Santana para esta campanha é o azul. O 13 do PT aparece em verde e amarelo e o logotipo "Lula" em branco. (...)" - Leia mais aqui

Campanha na TV começa em 15 de Agosto


A corrida entre os presidenciáveis tem início terça-feira, dia 15 de Agosto.
Lula tentará, muito mais, defender sua colocação nas pesquisas que o apontam como reeleito. Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque buscarão, além da defesa dos votos que já tem, sobretudo a conquista de novos votos.
As estratégias de campanha seguem acima.