A Política é inerente à natureza humana e à organização social. Um estudo científico, empírico, dos mais remotos grupos primitivos a mais complexa sociedade nos permite uma afirmação: a atividade política é claramente presente.
Os grupos sociais desenvolveram-se, evoluíram, surgiu o Estado. Nesse período, não é difícil descrever uma rudimentar atividade política e os determinantes da liderança – ora a força, ora a sabedoria, a inteligência, o desenvolvimento técnico. Mas como conceituar a atividade política na sociedade moderna e contemporânea?
Segundo João Ubaldo Ribeiro, em Política, “a Política passa a ser entendida como um processo através do qual interesses são transformados em objetivos e os objetivos conduzidos à formulação e tomada de decisões”, a canalização de interesses com a finalidade de obter decisões que afetam diretamente a coletividade e, indiretamente, o indivíduo. Participamos politicamente através do voto e da atividade política, sendo aquele parte integrante desta.
“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”, escreveu Arnold Toynbec. Na mesma linha, escreveu Edmund Burke: “tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam” .
Iniciada a campanha, estamos em processo eleitoral. Nos últimos dias (este artigo foi escrito antes do primeiro debate presidencial), os candidatos participaram de entrevistas no rádio e na TV que, como forma de elucidar o leitor-eleitor, passaremos a analisar, dando maior atenção para a entrevista de Lula, Presidente da República em exercício e apontado como reeleito. (lembrando que as estratégias políticas e principais propostas de governo dos candidatos podem ser lidas no Blog do Ewerton através do endereço: http://ewertonclemente.blogspot.com).
Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB, apresentou como base de seu programa de governo Trabalho, Renda e Ética. Tendo como objetivos precípuos crescimento e geração de trabalho e renda, foi muito bem quando apresentou números relativos à sua administração como a redução do número de homicídios em quase 45% entre 1999 e 2006. No entanto, ficou confuso e confundiu a todos quando não soube explicar a diferença entre as denúncias e casos de corrupção que envolveram Eduardo Azeredo quando candidato e Lula enquanto presidente.
Heloísa Helena, candidata pelo PSOL, apresentou-se como a “versão feminina” de Lula, afirmando que objetivos programáticos-partidários nada tem que ver com programa de governo, nos levando à conclusão de que utilizará do mesmo maquiavelismo petista para implementar seu projeto radical somente quando estiver no governo. Citou sobretudo a redução dos juros da economia brasileira, a luta pelo resgate ético-moral e pela democracia (?) como pontos de seu programa de governo. Retirou do guarda-roupa a vitrola esquerdista, ressuscitou chavões da esquerda estúpida (embora um pouquinho mais paz e a mor), definiu o socialismo como “a mais bela declaração de amor à humanidade” e declarou que “não há no Planeta Terra nenhuma experiência socialista”, buscando isentar a ideologia da carnificina empreendida.
Cristovam Buarque, candidato pelo PDT, trouxe como prioridade de seu programa de governo a Educação, apresentando um programa monotemático. Não falou na crise da Segurança Pública que atinge São Paulo, mas é nacional. Tentou desconstruir a relação direta entre a perda da reeleição pelo governo do DF e sua reprovação como governante, assim como a imagem de que é inteligente e criativo, mas não possui capacidade executiva. De uma forma um tanto quanto confusa, afirmou que não teve habilidade política no Ministério da Educação, mas que a teria na Presidência.
Luis Inácio Lula da Silva, candidato pelo PT, afirmou que pretende continuar fazendo o que fez nesses quatro anos. E foi, ao menos desta vez, coerente não definindo prioridades para seu governo, além do assistencialismo meramente eleitoral.
O casal que apresenta o JN, da Rede Globo de Televisão, lembrou da denúncia feita pelo Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, em que este fala de uma quadrilha de 40 integrantes tendo como cerne José Dirceu – leia-se Poder Executivo – e dirigentes executivos do PT e questionou se o presidente insistia na afirmativa de que desconhecia o esquema de corrupção conhecido como “mensalão”, assim como perguntou qual a garantia que ele dava de que não aconteceriam novos casos de corrupção envolvendo “companheiros”.
Em resposta, o presidente Lula mentiu, como, por exemplo, afirmando que havia demitido José Dirceu, verbalizou que os erros foram cometidos por pessoas e não pelo partido, assim como, estrategicamente, quis convencer a todos que a corrupção advém de outros governos, que estava “embaixo do tapete” e só apareceu porque decidiu por investigar.
Para discutir se esta “crise” é de pessoas, institucional ou estrutural – tomando como referência o Partido dos Trabalhadores – é necessário, antes de mais nada, estudar sua orientação ideológica.
Além de correntes marxistas, mistura submaquiavelismo sem precedentes e Totalitarismo Moderno destacando-se a teoria gramsciana para o Moderno Príncipe (leia-se o partido) em que este tem não só a prerrogativa, mas a incumbência de relativizar e definir aquilo que é virtuoso ou criminoso de acordo com suas necessidades e preferências. Em nome da causa, tudo é permitido. Inclusive o desrespeito à lei e ao Estado de Direito.
Notadamente, a corrupção brasileira é endêmica e reflete a própria sociedade. Não significa condescender, entretanto a corrupção que envolvia a classe política se resumia à apropriação privada de recursos públicos por alguns políticos, sendo combatida pela sociedade através do voto ou da participação política . Muito diferente é, segundo o professor Denis Lerrer, da UFRGS, a corrupção leninista, em que aparelha-se o Estado, com posterior desvios de recursos públicos para financiamento partidário.
O PT estruturou o maior esquema de corrupção jamais concebível na história da República, denunciando a natureza essencial petista. Portanto, tratando-se do PT, não há crise, há revelação. Assim como, de forma genérica, a crise política que se instalou no governo não possui fatores exógenos, nem é resultante de outros governos, ela nasceu neste governo e foi denunciada, não pelo Executivo, mas por seu fisiológico aliado: Roberto Jeferson.
Devemos insistir ainda na questão do Estado de Direito, visto que o presidente faz, demagogicamente, sua defesa. Um Estado de Direito deve garantir três direitos individuais básicos: o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Atenta contra eles quando incita conflitos no campo; quando se mostra complacente com “movimentos” inconsequentes ditos populares como o MST e outros; quando estabelece a oposição inexistente entre agricultura familiar e agronegócio; quando insiste no assistencialismo que conquista votos, mas que cria uma dependência excessiva do governo, já que este não oferece condições básicas de desenvolvimento.
É responsável direta e indiretamente pela ascensão e, quase, transmutação para um Estado de Natureza quando reduz os gastos com investimentos em segurança pública – referentes ao Fundo Nacional de Segurança Pública, Fundo Penitenciário Nacional e orçamentos da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal para operações nos estados – no Estado de São Paulo em 86,7%, considerando o período compreendido entre 2002 e 2005. Diretamente porque a segurança pública é uma questão nacional. Indiretamente porque, por consequência, não permite ao governo do Estado de SP fazer os necessários investimentos para, ao menos, minorar a situação problemática.
Por fim, pesquisa recente de um reconhecido instituto pergunta aos eleitores quais os requisitos que deve possuir um candidato para escolha do voto. A resposta é: 1º) Ética / Combate à Corrupção e 2º) Competência. E envia o seguinte recado aos políticos: Além de competência, um candidato deve, muito mais, reunir a capacidade de resgatar a ética e moralidade política.
Qual dos candidatos poderia faze-lo? Certamente, a resposta não é Lula.
Ewerton Clemente é estudante de Ciências Econômicas
na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)
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