
Na última terça-feira, dia 15/07/2008, enquanto assistíamos ao Jornal Nacional no momento em que eram noticiados os indicadores e cotações do mercado financeiro fui indagado pela minha irmã por que a cotação do dólar em relação ao real cai ou sobe e vice-versa. Justamente neste dia a taxa de câmbio fechava em seu menor valor considerando a série histórica anual, assim como os últimos 12 meses: US$ 1 = R$ 1,59.
Antes de discutirmos o que determina a taxa de câmbio é indispensável defini-la: com exceção dos Estados Unidos e da Inglaterra que a conceituam de forma inversa, representa as unidades de moeda nacional necessárias para a aquisição de uma unidade de moeda estrangeira.
Em uma economia de câmbio flutuante e liberdade de movimentação de capitais, a taxa de câmbio é determinada pela oferta e demanda por moeda estrangeira resultantes das transações internacionais entre residentes e não-residentes. Mas para quais fins os agentes econômicos demandam moeda estrangeira e de quais fontes resulta a oferta?
Os agentes econômicos demandam moeda estrangeira para importações de bens e serviços, compra de ativos estrangeiros, transferências unilaterais e investimentos diretos no exterior. Por outro lado, a oferta de moeda estrangeira é resultante de exportações de bens e serviços, venda de ativos nacionais, transferências unilaterais e investimentos estrangeiros diretos (IEDs).
Com exceção das importações e exportações, as demais variáveis são pouco sensíveis à taxa de câmbio, sendo a compra e venda de ativos, assim como o investimento direto muito mais sensíveis à taxa de juros e este último à eficiência marginal do capital também.
Assim sendo, a curva de demanda possui inclinação negativa, pois na medida em que a taxa de câmbio sobe e, por conseqüência, a moeda nacional se desvaloriza em relação à estrangeira, fica mais caro em moeda nacional adquirir bens e serviços estrangeiros e isso concorre para a redução das importações e da demanda por moeda estrangeira (desde que os demais preços da economia permaneçam constantes). Por outro lado, a curva de oferta possui inclinação positiva, pois na medida em que a taxa de câmbio sobe e, por conseqüência, a moeda estrangeira se valoriza em relação à nacional, fica mais barato para os não-residentes importar bens e serviços concorrendo para o aumento das exportações e da oferta de moeda estrangeira. No ponto de intersecção dessas curvas, ou seja, no ponto em que elas se cruzam fica determinada a taxa de câmbio.
Quer dizer, então, que há uma expansão da oferta de moeda estrangeira empurrando nossa taxa de câmbio para baixo?
Em virtude dos déficits orçamentário e em transações correntes dos Estados Unidos, conhecidos como déficits gêmeos, houve uma depreciação mundial da moeda norte-americana. Não obstante, o crescimento da economia internacional e a expansão da demanda por commodities (alimentos, energia e matéria-prima) contribuíram para o crescimento de nossas exportações e da oferta de moeda estrangeira.
Por outro lado, a diferença entre as taxas de juros brasileira e internacional incentivou os investidores, por exemplo, a tomar empréstimos nos EUA em agosto/2007 à taxa de 5,25% a.a. e aplicar no Brasil à taxa de 11,25% a.a. auferindo os ganhos desta diferença.
Os fatores acima elencados contribuíram para uma depreciação ainda maior do dólar que, por sua vez, aliada à expansão da atividade econômica nacional e à crise de hipotecas no mercado imobiliário norte-americano têm incentivado a importação de bens de consumo e serviços finais, intermediários e bens de capital, assim como maior remessa de lucros e dividendos ao exterior concorrendo para um déficit no saldo de transações correntes em nosso balanço de pagamentos de US$ 15,6 bilhões nos cinco primeiros meses do ano.
Nos últimos anos, as exportações vêm crescendo a taxas decrescentes com exceção de 2007 e 2008, anos em que seu crescimento foi praticamente constante (aproximadamente 16,5% a.a.). Por outro lado, as importações vêm crescendo a taxas crescentes atingindo em 2007 aproximadamente o dobro do crescimento das exportações: 32% a.a.
Entretanto, ao analisar Nota Técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que avalia a evolução do déficit em transações correntes de janeiro a maio de 2008 e faz previsões para o acumulado anual, é possível concluir que a grande responsável pelo crescimento do déficit tem sido a conta Lucros e Dividendos que apresentou crescimento exponencial no período considerado. Todavia, justifica que no primeiro semestre, a remessa de lucros e dividendos ao exterior é sempre maior, assim como é natural que crescimento econômico nacional, real valorizado e crise norte-americana tenham concorrido para seu crescimento.
Economistas conhecidos como desenvolvimentistas têm apregoado um intervencionismo inconseqüente, historicamente característico desta corrente: controle de capitais, controle do câmbio, corte de juros “à canetada”, restrições comerciais, etc.
Segundo o economista Mailson da Nóbrega que prefere o caminho da responsabilidade, a história evoluiu e a economia brasileira também e, por conseqüência, não há razões para temer o déficit externo, sobretudo considerando que há controle do nível geral de preços, nossas reservas internacionais superam a dívida externa e, diferentemente de períodos pretéritos, o déficit em transações correntes é financiado pelos IEDs e não mais por dívida.
Antes de discutirmos o que determina a taxa de câmbio é indispensável defini-la: com exceção dos Estados Unidos e da Inglaterra que a conceituam de forma inversa, representa as unidades de moeda nacional necessárias para a aquisição de uma unidade de moeda estrangeira.
Em uma economia de câmbio flutuante e liberdade de movimentação de capitais, a taxa de câmbio é determinada pela oferta e demanda por moeda estrangeira resultantes das transações internacionais entre residentes e não-residentes. Mas para quais fins os agentes econômicos demandam moeda estrangeira e de quais fontes resulta a oferta?
Os agentes econômicos demandam moeda estrangeira para importações de bens e serviços, compra de ativos estrangeiros, transferências unilaterais e investimentos diretos no exterior. Por outro lado, a oferta de moeda estrangeira é resultante de exportações de bens e serviços, venda de ativos nacionais, transferências unilaterais e investimentos estrangeiros diretos (IEDs).
Com exceção das importações e exportações, as demais variáveis são pouco sensíveis à taxa de câmbio, sendo a compra e venda de ativos, assim como o investimento direto muito mais sensíveis à taxa de juros e este último à eficiência marginal do capital também.
Assim sendo, a curva de demanda possui inclinação negativa, pois na medida em que a taxa de câmbio sobe e, por conseqüência, a moeda nacional se desvaloriza em relação à estrangeira, fica mais caro em moeda nacional adquirir bens e serviços estrangeiros e isso concorre para a redução das importações e da demanda por moeda estrangeira (desde que os demais preços da economia permaneçam constantes). Por outro lado, a curva de oferta possui inclinação positiva, pois na medida em que a taxa de câmbio sobe e, por conseqüência, a moeda estrangeira se valoriza em relação à nacional, fica mais barato para os não-residentes importar bens e serviços concorrendo para o aumento das exportações e da oferta de moeda estrangeira. No ponto de intersecção dessas curvas, ou seja, no ponto em que elas se cruzam fica determinada a taxa de câmbio.
Quer dizer, então, que há uma expansão da oferta de moeda estrangeira empurrando nossa taxa de câmbio para baixo?
Em virtude dos déficits orçamentário e em transações correntes dos Estados Unidos, conhecidos como déficits gêmeos, houve uma depreciação mundial da moeda norte-americana. Não obstante, o crescimento da economia internacional e a expansão da demanda por commodities (alimentos, energia e matéria-prima) contribuíram para o crescimento de nossas exportações e da oferta de moeda estrangeira.
Por outro lado, a diferença entre as taxas de juros brasileira e internacional incentivou os investidores, por exemplo, a tomar empréstimos nos EUA em agosto/2007 à taxa de 5,25% a.a. e aplicar no Brasil à taxa de 11,25% a.a. auferindo os ganhos desta diferença.
Os fatores acima elencados contribuíram para uma depreciação ainda maior do dólar que, por sua vez, aliada à expansão da atividade econômica nacional e à crise de hipotecas no mercado imobiliário norte-americano têm incentivado a importação de bens de consumo e serviços finais, intermediários e bens de capital, assim como maior remessa de lucros e dividendos ao exterior concorrendo para um déficit no saldo de transações correntes em nosso balanço de pagamentos de US$ 15,6 bilhões nos cinco primeiros meses do ano.
Nos últimos anos, as exportações vêm crescendo a taxas decrescentes com exceção de 2007 e 2008, anos em que seu crescimento foi praticamente constante (aproximadamente 16,5% a.a.). Por outro lado, as importações vêm crescendo a taxas crescentes atingindo em 2007 aproximadamente o dobro do crescimento das exportações: 32% a.a.
Entretanto, ao analisar Nota Técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que avalia a evolução do déficit em transações correntes de janeiro a maio de 2008 e faz previsões para o acumulado anual, é possível concluir que a grande responsável pelo crescimento do déficit tem sido a conta Lucros e Dividendos que apresentou crescimento exponencial no período considerado. Todavia, justifica que no primeiro semestre, a remessa de lucros e dividendos ao exterior é sempre maior, assim como é natural que crescimento econômico nacional, real valorizado e crise norte-americana tenham concorrido para seu crescimento.
Economistas conhecidos como desenvolvimentistas têm apregoado um intervencionismo inconseqüente, historicamente característico desta corrente: controle de capitais, controle do câmbio, corte de juros “à canetada”, restrições comerciais, etc.
Segundo o economista Mailson da Nóbrega que prefere o caminho da responsabilidade, a história evoluiu e a economia brasileira também e, por conseqüência, não há razões para temer o déficit externo, sobretudo considerando que há controle do nível geral de preços, nossas reservas internacionais superam a dívida externa e, diferentemente de períodos pretéritos, o déficit em transações correntes é financiado pelos IEDs e não mais por dívida.