domingo, fevereiro 10, 2013


Acredito que descobri porque a revista VEJA é uma das mais populares no Brasil, senão a mais vendida.

A edição desta semana apresentou uma matéria sobre a Petrobrás com miseráveis 4 páginas considerando as imagens relativamente grandes. Participaram Helge Lund (presidente da petrolífera Statoil/Noruega), Graça Foster (presidente da Petrobrás), Walter de Vitto (analista da Tendências Consultoria),Economática e Alexandre Szklo (professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ).

Enquanto a matéria de capa com significativas 8 páginas discute um aplicativo do facebook que facilita o sexo casual entre seus usuários.

Infelizmente, precisamos reconhecer a inteligência do diretor de marketing da revista que descobriu que a maioria da sociedade brasileira prefere as redes sociais para uso específico de entretenimento ao invés da preocupação política e seus desdobramentos.

#Acorda_Brasil

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

2 Coelhos


Ótimo filme. Produção nacional. Sugere uma ideia completamente heterodoxa como alternativa aos mais variados meios que conhecemos e utilizamos para combater e destruir o sistema. Lembra, contudo, que ao se associar ou infiltrar-se para destruí-lo por dentro provavelmente será muito difícil sair limpo de um contato com a lama ou terminar da maneira como começou, tendo que pagar com a própria vida em muitos casos. Por fim, destaca a coragem como condição transformadora e relativiza a morte na medida em que conclui que a despedida individual pode significar o renascimento social, ou seja, minha morte pode ser a nossa vitória, principalmente em razão dos significados, reflexões e desdobramentos do sacrifício pessoal ou grupal. E nisso, só os loucos acreditam e por isso são os únicos de quem podemos esperar iniciativas criativas e eficazes no sentido da mudança.

Vale muito a pena assistir!!!

domingo, fevereiro 03, 2013

Internação é a panacéia social?


No último dia 23 de janeiro, um jovem adolescente de 15 anos decidiu procurar o Plantão Policial de Piracicaba/SP para solicitar internação para tratamento de dependência química, patologia da qual ele acredita sofrer.

Segundo o menor, é usuário de maconha e cocaína há aproximadamente 5 meses. Seu padrão de uso é de algumas vezes na semana e como conseqüência do seu relacionamento com drogas participou de pequenos furtos e, principalmente, tem dificuldades escolares. Sua mãe está presa há 2 anos, seu pai mora em Minas Gerais. Ele mora com a avó.

O instrumento de internação, principalmente a compulsória, ou seja, aquela determinada por decisão judicial, foi uma resposta preguiçosa e ineficaz encontrada pelo Estado brasileiro para tentar resolver um problema social que ele mesmo criou quando institucionalizou o modelo de repressão ou proibição na medida em que contribuiu para a produção de drogas mais baratas como o crack e notadamente mais viciantes. Traficantes não estão interessados na saúde dos consumidores.

Para defender o procedimento, há um processo em curso de manipulação cultural e lobby por grande parte dos psiquiatras e interessados na exploração da problemática como atividade econômica de que a internação é a panacéia de um problema social. Entretanto, o modelo sugerido tem comprovada ineficácia: apenas 3% dos internados permanecem em recuperação no primeiro ano e menos de 1% passam de 2 anos.     

Existem tratamentos alternativos como terapias individuais e em grupo, grupos de ajuda e, principalmente, o trabalho desenvolvido pelos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e outras drogas (CAPS-AD) que em Piracicaba agora tem o nome de Ambulatório de Saúde Mental.

O objetivo do Ambulatório é a reabilitação psicossocial para pessoas com padrão de dependência e/ou grave comprometimento sociofamiliar. Em um primeiro momento é realizado uma triagem para a elaboração de um tratamento específico de acordo com as particularidades e realidade de cada um. Segundo informações estatísticas, pessoas com padrão de dependência considerado grave tiveram resultados melhores com este tipo de tratamento.

 Estudos apontam que a estrutura cortical frontal de nosso cérebro responsável pela tomada de decisões funciona de forma a eliminar conflitos e, por conseqüência, acaba escolhendo o caminho mais fácil. A filosofia sugere que, em grande medida, a sociedade é a manifestação da individualidade da natureza humana. Por isso, geralmente a sociedade tende a decidir como o indivíduo.

Expor este jovem de 15 anos que usa drogas há 5 meses a uma clínica pode trazer conseqüências extremamente negativas para a formação de sua personalidade como agressões físicas em alguns casos, resultados psicológicos e provavelmente contato com dependentes mais graves e o conseqüente interesse por drogas mais destrutivas como depoimentos comprovam.

A sociedade brasileira se sente assediada pela possibilidade de atacar as conseqüências ou efeitos de nossos problemas quando precisamos nos preocupar com as razões ou causas. A internação pode parecer a panacéia do ponto de vista social já que retira dependentes das ruas concorrendo para o processo de limpeza social. Todavia, isto não resolve o problema do ponto de vista individual. Estamos lidando com pessoas, não animais. É fundamental abandonar a preguiça intelectual e cognitiva, procurar respostas inteligentes e priorizar políticas públicas mais eficazes, além é claro da descriminalização.

Ewerton Clemente é economista, servidor público da Câmara Mun. 
de Rio das Pedras e autor do blog

sábado, fevereiro 02, 2013

Concentração, distração e produtividade


Reconhecidamente a maioria da sociedade encontra dificuldades relacionadas à atenção controlada, concentração ou foco. Isso geralmente acontece porque segundo Fernando Miranda, neurofisiologista e diretor científico da empresa norte-americana Lucid Systems que tem como atividade a realização de pesquisas de ponta para o desenvolvimento de marketing ou propaganda, a cada segundo, o nosso cérebro recebe, em média, 11 milhões de bits de dados relacionados ao nosso campo de atenção. Esta quantidade de dados equivale a mais de 5 livros com 200 páginas cada por segundo, mas só conseguimos lidar ou assimilar 40 bits/segundo.

Os mais variados estímulos e informações disputam nossa atenção. São e-mails, redes sociais, ligações telefônicas, tarefas procrastinadas, ressentimentos da briga com a namorada ou discussão com o líder, outras preocupações cotidianas, além de um número muito expressivo de informações que recebemos a todo instante, entre muitos outros.

Segundo Miranda, a condição fundamental para a concentração ou manutenção do foco é o gating ou processo através do qual filtramos ou selecionamos quais informações são importantes e quais podemos descartar. Se tornar uma pessoa extremamente concentrada não é fácil, principalmente porque a maioria de nossos processos de atenção é quase inconsciente em razão de ocorrer em fração de milissegundos (1/600.000s).

Modificar a forma pela qual processamos informações requer uma reestruturação neurológica a partir de condicionamento, da assimilação de novas informações, reflexões e ponderações sobre as decisões tomadas, além da meditação como técnica para diminuir a velocidade destas percepções através da mudança de freqüência das ondas cerebrais. Entretanto, a jornalista Jeanne Callegari da revista Vida Simples, tem algumas dicas práticas que podem nos ajudar.

A primeira delas é a necessidade do planejamento ou liderança pessoal. Ela lembrou a frase de Dulce Magalhães no livro “O foco define a sorte”: “Quando não temos foco, andamos na correria sem saber mais para onde estamos indo, nem por quê”. Segundo Jeanne, precisamos saber onde queremos chegar. Se não sabemos, precisamos descobrir aquilo que é importante para nós. Este exercício não é simples porque, segundo Stephen Covey em seu livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, corremos o risco do esforço cotidiano em subir a escada do sucesso para no futuro descobrir que estava apoiada na parede errada.

A próxima etapa é a elaboração de um plano de ação estabelecendo, objetivamente, como pretendemos alcançar nossos objetivos e metas mais importantes. Neste processo, não podemos deixar de observar o Princípio de Pareto em que 80% dos resultados são obtidos a partir de 20% das atividades. Callegari lembrou as sugestões de Leo Babauta em seu livro "Quanto menos, melhor" em que devemos ter uma meta mais ampla ou dependente do médio ou longo prazo de cada vez, assim como 3 ou 4 projetos relacionados e listas de tarefas diárias enxutas, objetivas, flexíveis e prioritárias. Cuidado com a ilusão da atividade.

Da mesma maneira, é fundamental fazer uma tarefa de cada vez. Para tanto, ela apresentou o método Pomodoro que tem este nome porque o cronômetro que deu origem à técnica lembra um tomate. Você deve usar um cronômetro, que pode ser encontrado no site e.ggtimer.com/pomodoro, para marcar o tempo. Marque 25 minutos e dedique-os a uma tarefa, começando pelas mais importantes. Assim que terminar, risque-a da lista. Faça um intervalo de 5 minutos para relaxar e comece outro pomodoro. A cada 4 ou 5 pomodoros, faça um intervalo maior.

Provavelmente, entre as tarefas cotidianas, encontraremos algumas pouco empolgantes e muito rotineiras. As chamadas tarefas algorítmicas em oposição às criativas e motivadoras. A saída para que aquelas não atrapalhem a produtividade é utilizar o aspecto positivo do chamado efeito Sawyer quando conseguimos transformar o trabalho em diversão.

Por fim, estudos empíricos sinalizam que estas dicas em conjunto com a limitação das distrações, o equilíbrio físico e mental e, principalmente, viver momentos gratificantes estão diretamente relacionados com o aumento da produtividade.


Ewerton Clemente é economista e servidor público da
Câmara Mun. de Rio das Pedras/SP

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Sobre A Dama de Ferro

Terminei de assistir o filme "A Dama de Ferro" que conta a história da ex-primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher.

Embora a crítica reconheça que o filme não é tão fiel à história na medida em que supervaloriza sua doença em detrimento de fatos políticos e econômicos que marcaram sua história como liderança política, ele apresenta algumas mensagens.

Thatcher foi primeira-ministra de 1979 a 1990. Foi a primeira mulher a assumir o cargo quando a economia internacional passava pela 2ª crise do petróleo. Como representante do partido conservador, as medidas econômicas em resposta à crise e que marcaram seu governo foram notadamente liberais como redução de gastos, liberdade econômica, desregulamentação do setor financeiro, flexibilização do mercado de trabalho e privatização de empresas estatais.

Era uma mulher bastante controversa na medida em que, entre muitos outros exemplos, defendia uma política fiscal mais responsável enquanto não se preocupava com os riscos e sacrifícios envolvidos na decisão de guerra contra a Argentina. Também era muito arrogante e não aceitava opiniões divergentes. Sempre tinha a última palavra.

Entretanto, sua vida pode nos oferecer alguns princípios e particularidades que fazem diferença para quem deseja liderar.

O filme começa contando a história a partir de sua velhice sugerindo que não importa o que façamos, o poder político ou econômico que tenhamos, enfim, todos chegaremos em um momento no qual a vida ficará mais difícil, seremos abandonados e estereotipados como loucos, coitados, entre outros, principalmente se sacrificarmos a família em nome de um projeto pessoal.

Tenho a impressão que ela já sabia deste fim, por isso perseguia a ideia de que era preciso deixar alguma herança social, fazer a diferença, de forma que isto a confortasse.

Mas deixando de lado a parte negativa ou natural de sua vida, foi uma mulher extremamente forte e decidida. Vindo de uma família de pequenos comerciantes, venceu o preconceito contra as mulheres e classes sociais mais baixas.

Sempre lembrou que nunca devemos seguir a multidão. Provavelmente aprendeu que se pretendemos conseguir algo que a maioria nunca conseguiu, precisamos fazer o que eles nunca fizeram. Assim como não ter medo de falar o que deve ser dito. Valorizou bastante a liderança como condição da mudança. Ela sabia que para a maioria das pessoas acreditar em algo era preciso que alguém tomasse a iniciativa.

Por fim, deixou como o condicionamento humano está relacionado com especificidades individuais e, principalmente, que a mudança começa com o poder de nossos pensamentos:

"Cuidado com seus pensamentos, pois eles se tornam palavras.
Cuidado com suas palavras, pois elas se tornam ações.
Cuidado com suas ações, pois elas se tornam hábitos.
Cuidado com seus hábitos, pois eles se tornam o seu caráter.
E cuidado com o seu caráter, pois ele se torna o seu destino.
O que nós pensamos, nos tornamos"