sábado, fevereiro 02, 2013

Concentração, distração e produtividade


Reconhecidamente a maioria da sociedade encontra dificuldades relacionadas à atenção controlada, concentração ou foco. Isso geralmente acontece porque segundo Fernando Miranda, neurofisiologista e diretor científico da empresa norte-americana Lucid Systems que tem como atividade a realização de pesquisas de ponta para o desenvolvimento de marketing ou propaganda, a cada segundo, o nosso cérebro recebe, em média, 11 milhões de bits de dados relacionados ao nosso campo de atenção. Esta quantidade de dados equivale a mais de 5 livros com 200 páginas cada por segundo, mas só conseguimos lidar ou assimilar 40 bits/segundo.

Os mais variados estímulos e informações disputam nossa atenção. São e-mails, redes sociais, ligações telefônicas, tarefas procrastinadas, ressentimentos da briga com a namorada ou discussão com o líder, outras preocupações cotidianas, além de um número muito expressivo de informações que recebemos a todo instante, entre muitos outros.

Segundo Miranda, a condição fundamental para a concentração ou manutenção do foco é o gating ou processo através do qual filtramos ou selecionamos quais informações são importantes e quais podemos descartar. Se tornar uma pessoa extremamente concentrada não é fácil, principalmente porque a maioria de nossos processos de atenção é quase inconsciente em razão de ocorrer em fração de milissegundos (1/600.000s).

Modificar a forma pela qual processamos informações requer uma reestruturação neurológica a partir de condicionamento, da assimilação de novas informações, reflexões e ponderações sobre as decisões tomadas, além da meditação como técnica para diminuir a velocidade destas percepções através da mudança de freqüência das ondas cerebrais. Entretanto, a jornalista Jeanne Callegari da revista Vida Simples, tem algumas dicas práticas que podem nos ajudar.

A primeira delas é a necessidade do planejamento ou liderança pessoal. Ela lembrou a frase de Dulce Magalhães no livro “O foco define a sorte”: “Quando não temos foco, andamos na correria sem saber mais para onde estamos indo, nem por quê”. Segundo Jeanne, precisamos saber onde queremos chegar. Se não sabemos, precisamos descobrir aquilo que é importante para nós. Este exercício não é simples porque, segundo Stephen Covey em seu livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, corremos o risco do esforço cotidiano em subir a escada do sucesso para no futuro descobrir que estava apoiada na parede errada.

A próxima etapa é a elaboração de um plano de ação estabelecendo, objetivamente, como pretendemos alcançar nossos objetivos e metas mais importantes. Neste processo, não podemos deixar de observar o Princípio de Pareto em que 80% dos resultados são obtidos a partir de 20% das atividades. Callegari lembrou as sugestões de Leo Babauta em seu livro "Quanto menos, melhor" em que devemos ter uma meta mais ampla ou dependente do médio ou longo prazo de cada vez, assim como 3 ou 4 projetos relacionados e listas de tarefas diárias enxutas, objetivas, flexíveis e prioritárias. Cuidado com a ilusão da atividade.

Da mesma maneira, é fundamental fazer uma tarefa de cada vez. Para tanto, ela apresentou o método Pomodoro que tem este nome porque o cronômetro que deu origem à técnica lembra um tomate. Você deve usar um cronômetro, que pode ser encontrado no site e.ggtimer.com/pomodoro, para marcar o tempo. Marque 25 minutos e dedique-os a uma tarefa, começando pelas mais importantes. Assim que terminar, risque-a da lista. Faça um intervalo de 5 minutos para relaxar e comece outro pomodoro. A cada 4 ou 5 pomodoros, faça um intervalo maior.

Provavelmente, entre as tarefas cotidianas, encontraremos algumas pouco empolgantes e muito rotineiras. As chamadas tarefas algorítmicas em oposição às criativas e motivadoras. A saída para que aquelas não atrapalhem a produtividade é utilizar o aspecto positivo do chamado efeito Sawyer quando conseguimos transformar o trabalho em diversão.

Por fim, estudos empíricos sinalizam que estas dicas em conjunto com a limitação das distrações, o equilíbrio físico e mental e, principalmente, viver momentos gratificantes estão diretamente relacionados com o aumento da produtividade.


Ewerton Clemente é economista e servidor público da
Câmara Mun. de Rio das Pedras/SP

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