Reconhecidamente a maioria da
sociedade encontra dificuldades relacionadas à atenção controlada, concentração
ou foco. Isso geralmente acontece porque segundo Fernando Miranda,
neurofisiologista e diretor científico da empresa norte-americana Lucid Systems
que tem como atividade a realização de pesquisas de ponta para o
desenvolvimento de marketing ou propaganda, a cada segundo, o nosso cérebro
recebe, em média, 11 milhões de bits de dados relacionados ao nosso campo de
atenção. Esta quantidade de dados equivale a mais de 5 livros com 200 páginas
cada por segundo, mas só conseguimos lidar ou assimilar 40 bits/segundo.
Os mais variados estímulos e
informações disputam nossa atenção. São e-mails, redes sociais, ligações
telefônicas, tarefas procrastinadas, ressentimentos da briga com a namorada ou
discussão com o líder, outras preocupações cotidianas, além de um número muito
expressivo de informações que recebemos a todo instante, entre muitos outros.
Segundo Miranda, a condição
fundamental para a concentração ou manutenção do foco é o gating ou processo através do qual filtramos ou selecionamos quais
informações são importantes e quais podemos descartar. Se tornar uma pessoa
extremamente concentrada não é fácil, principalmente porque a maioria de nossos
processos de atenção é quase inconsciente em razão de ocorrer em fração de
milissegundos (1/600.000s).
Modificar a forma pela qual
processamos informações requer uma reestruturação neurológica a partir de
condicionamento, da assimilação de novas informações, reflexões e ponderações
sobre as decisões tomadas, além da meditação como técnica para diminuir a
velocidade destas percepções através da mudança de freqüência das ondas
cerebrais. Entretanto, a jornalista Jeanne Callegari da revista Vida Simples, tem
algumas dicas práticas que podem nos ajudar.
A primeira delas é a necessidade
do planejamento ou liderança pessoal. Ela lembrou a frase de Dulce Magalhães no
livro “O foco define a sorte”: “Quando
não temos foco, andamos na correria sem saber mais para onde estamos indo, nem
por quê”. Segundo Jeanne, precisamos saber onde queremos chegar. Se não
sabemos, precisamos descobrir aquilo que é importante para nós. Este exercício
não é simples porque, segundo Stephen Covey em seu livro “Os 7 hábitos das
pessoas altamente eficazes”, corremos o risco do esforço cotidiano em subir a
escada do sucesso para no futuro descobrir que estava apoiada na parede errada.
A próxima etapa é a elaboração
de um plano de ação estabelecendo, objetivamente, como pretendemos alcançar
nossos objetivos e metas mais importantes. Neste processo, não podemos deixar
de observar o Princípio de Pareto em que 80% dos resultados são obtidos a
partir de 20% das atividades. Callegari lembrou as sugestões de Leo Babauta em
seu livro "Quanto menos, melhor" em que devemos ter uma meta mais
ampla ou dependente do médio ou longo prazo de cada vez, assim como 3 ou 4
projetos relacionados e listas de tarefas diárias enxutas, objetivas, flexíveis
e prioritárias. Cuidado com a ilusão da atividade.
Da mesma maneira, é fundamental
fazer uma tarefa de cada vez. Para tanto, ela apresentou o método Pomodoro que
tem este nome porque o cronômetro que deu origem à técnica lembra um tomate.
Você deve usar um cronômetro, que pode ser encontrado no site
e.ggtimer.com/pomodoro, para marcar o tempo. Marque 25 minutos e dedique-os a
uma tarefa, começando pelas mais importantes. Assim que terminar, risque-a da
lista. Faça um intervalo de 5 minutos para relaxar e comece outro pomodoro. A
cada 4 ou 5 pomodoros, faça um intervalo maior.
Provavelmente, entre as tarefas
cotidianas, encontraremos algumas pouco empolgantes e muito rotineiras. As
chamadas tarefas algorítmicas em oposição às criativas e motivadoras. A saída
para que aquelas não atrapalhem a produtividade é utilizar o aspecto positivo
do chamado efeito Sawyer quando conseguimos transformar o trabalho em diversão.
Por fim, estudos empíricos
sinalizam que estas dicas em conjunto com a limitação das distrações, o
equilíbrio físico e mental e, principalmente, viver momentos gratificantes estão
diretamente relacionados com o aumento da produtividade.
Ewerton Clemente é economista e servidor público da
Câmara Mun. de Rio das Pedras/SP

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