No último dia 23 de janeiro, um
jovem adolescente de 15 anos decidiu procurar o Plantão Policial de
Piracicaba/SP para solicitar internação para tratamento de dependência química,
patologia da qual ele acredita sofrer.
Segundo o menor, é usuário de maconha
e cocaína há aproximadamente 5 meses. Seu padrão de uso é de algumas vezes na
semana e como conseqüência do seu relacionamento com drogas participou de
pequenos furtos e, principalmente, tem dificuldades escolares. Sua mãe está
presa há 2 anos, seu pai mora em Minas Gerais. Ele mora com a avó.
O instrumento de internação,
principalmente a compulsória, ou seja, aquela determinada por decisão judicial,
foi uma resposta preguiçosa e ineficaz encontrada pelo Estado brasileiro para
tentar resolver um problema social que ele mesmo criou quando institucionalizou
o modelo de repressão ou proibição na medida em que contribuiu para a produção
de drogas mais baratas como o crack e notadamente mais viciantes. Traficantes
não estão interessados na saúde dos consumidores.
Para defender o procedimento, há
um processo em curso de manipulação cultural e lobby por grande parte dos
psiquiatras e interessados na exploração da problemática como atividade
econômica de que a internação é a panacéia de um problema social. Entretanto, o
modelo sugerido tem comprovada ineficácia: apenas 3% dos internados permanecem
em recuperação no primeiro ano e menos de 1% passam de 2 anos.
Existem tratamentos alternativos
como terapias individuais e em grupo, grupos de ajuda e, principalmente, o
trabalho desenvolvido pelos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e outras
drogas (CAPS-AD) que em Piracicaba agora tem o nome de Ambulatório de Saúde
Mental.
O objetivo do Ambulatório é a
reabilitação psicossocial para pessoas com padrão de dependência e/ou grave
comprometimento sociofamiliar. Em um primeiro momento é realizado uma triagem
para a elaboração de um tratamento específico de acordo com as particularidades
e realidade de cada um. Segundo informações estatísticas, pessoas com padrão de
dependência considerado grave tiveram resultados melhores com este tipo de
tratamento.
Estudos apontam que a estrutura cortical
frontal de nosso cérebro responsável pela tomada de decisões funciona de forma
a eliminar conflitos e, por conseqüência, acaba escolhendo o caminho mais
fácil. A filosofia sugere que, em grande medida, a sociedade é a manifestação
da individualidade da natureza humana. Por isso, geralmente a sociedade tende a
decidir como o indivíduo.
Expor este jovem de 15 anos que
usa drogas há 5 meses a uma clínica pode trazer conseqüências extremamente
negativas para a formação de sua personalidade como agressões físicas em alguns
casos, resultados psicológicos e provavelmente contato com dependentes mais
graves e o conseqüente interesse por drogas mais destrutivas como depoimentos
comprovam.
A sociedade brasileira se sente
assediada pela possibilidade de atacar as conseqüências ou efeitos de nossos
problemas quando precisamos nos preocupar com as razões ou causas. A internação
pode parecer a panacéia do ponto de vista social já que retira dependentes das
ruas concorrendo para o processo de limpeza social. Todavia, isto não resolve o
problema do ponto de vista individual. Estamos lidando com pessoas, não
animais. É fundamental abandonar a preguiça intelectual e cognitiva, procurar
respostas inteligentes e priorizar políticas públicas mais eficazes, além é
claro da descriminalização.
Ewerton Clemente é
economista, servidor público da Câmara Mun.
de Rio das Pedras e autor do blog

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