terça-feira, setembro 19, 2006

Desculpas ...

Gostaria de me desculpar com os amigos leitores pelo fato de não conseguir atualizar o blog diariamente (está complicado faze-lo até mesmo aos finais de semana) esclarecendo que é efeito direto do aumento de tarefas com a proximidade das avaliações e dos seminários na universidade.

No entanto, farei o possível.

Continua a nossa vigília e a discussão dos temas relevantes para a política, a economia e o pensamento.

Meus cumprimentos,

Ewerton Clemente.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Proposta orçamentária para 2007 prevê aumento de gastos correntes em 10,2%

Por Ribamar Oliveira, em O Estado de São Paulo: "A proposta orçamentária para 2007, encaminhada ontem ao Congresso pelo governo, prevê crescimento nominal de 10,2% dos gastos correntes da União em relação a este ano. Essas despesas - que não incluem os investimentos, o pagamento dos juros das dívidas e as transferências constitucionais para Estados e municípios - passarão de R$ 385,3 bilhões para R$ 424,7 bilhões. O aumento do gasto será de R$ 39,4 bilhões e inclui a contratação de 46,6 mil servidores.(...)

O governo pretendia reduzir as despesas correntes de 2007 (excluindo as transferências para Estados e municípios) em 0,1% do PIB em relação a este ano, de acordo com o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo decidiu não observar a regra na proposta orçamentária, como antecipou o Estado, porque a LDO ainda não foi aprovada pelo Congresso.(...)

As despesas com salários dos servidores e benefícios previdenciários terão forte crescimento.(...)

Os gastos com custeio e investimento na educação vão crescer 14,8%(...)

Os gastos com o programa Bolsa-Família passarão de R$ 8,2 bilhões para R$ 8,6 bilhões,um aumento de 4,9%.

(...)Como antecipou o Estado, a proposta orçamentária para 2007 prevê aumento da carga tributária federal. (...)" - Leia mais aqui

O mau desempenho do PIB brasileiro empurra para baixo a média de crescimento do grupo conhecido como BRICs integrado por Brasil, Rússia, Índia e China

Em O Estado de São Paulo: "O fraco desempenho do PIB brasileiro no primeiro semestre afasta ainda mais a performance do País em relação aos demais integrantes do grupo que ficou conhecido como BRICs e inclui, pela ordem da sigla, Rússia, Índia e China. Comparado a outros países da América Latina, caso o Brasil cresça perto de 3% esse ano, como já se especula no mercado, será o penúltimo de um grupo de 18 que tiveram o desempenho estimado pelo FMI para 2006.O País, que empresta a primeira letra do nome do BRICs, vem jogando para baixo a média de crescimento do grupo. Entre 2001 e 2005, os quatro países cresceram 6,1% em média ao ano, taxa que sobe para 7,3% excluindo os resultados brasileiros, conforme levantamento feito pela Austing Rating.

(...) os outros países do BRICs têm taxas de investimentos altas, acima de 30% do PIB, superando a brasileira, que tem oscilado nos últimos anos entre 18% e 20%. De forma simplificada, esses países apresentam elevada taxa de poupança, consomem menos, o câmbio é mais alto, exportam mais e investem mais.(...)" - Leia mais aqui

Crescimento do PIB no segundo trimestre fica em apenas 0,5% e empurra para baixo previsões para o ano

Por Irany Tereza, em O Estado de São Paulo: "O ritmo de crescimento da economia caiu drasticamente no segundo trimestre do ano, com a elevação marginal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas do País) em relação ao primeiro trimestre. É menos da metade do crescimento de 1,3% de janeiro a março.

O acumulado em quatro trimestres não chega a 2%. "Se o ano acabasse agora, o PIB teria crescido 1,7%", disse Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

(...)Rebeca ressaltou que o resultado do segundo trimestre "foi basicamente alavancado pela demanda doméstica".(...)

Ainda sob o aquecimento da oferta de crédito pessoal, o consumo das famílias aumentou 1,2%, na comparação com o primeiro trimestre. Foi o que garantiu a taxa levemente positiva do desempenho econômico de abril a junho. (...)

Em contrapartida, os dados divulgados ontem confirmaram a queda da produção industrial (0,3% em relação ao primeiro trimestre) e revelaram uma sucessão de taxas negativas relevantes nesse tipo de comparação(...)

Para esta comparação, os técnicos fazem a chamada dessazonalização, ou seja, eliminam estatisticamente características específicas de cada período que possam mascarar o saldo final. A curva de tendência, que traz a taxa anualizada, mostra de forma clara a desaceleração econômica nacional.(...)" - Leia mais aqui

"Se a gente não cumprir (as promessas), é porque houve fatores extraterrestres."

Por Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, em O Estado de São Paulo: " O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que só "fatores extraterrestres" o impedirão de cumprir promessas de campanha.(...)

No início do governo, no auge da popularidade e usufruindo de prestígio em diferentes meios da sociedade, Lula recorreu a fenômenos da natureza para assegurar que iria fazer as reformas da Previdência e do sistema tributário.(...)" - Leia mais aqui

quarta-feira, agosto 30, 2006

Estou muito preocupado! Lula disse que construirá pessoalmente a governabilidade no segundo mandato.

Em textos anteriores, estudamos a orientação ideológica do PT e forma pela qual estruturou-se o maior esquema de corrupção da história republicana brasileira, ou seja, através da modificação na forma e natureza da corrupção, agora utilizando-se da "corrupção leninista" para aparelhar o Estado, desviar recursos públicos e financiar o "Moderno Príncipe", ou seja, o Partido dos Trabalhadores e, por consequência, seu projeto de poder.

No entanto, o presidente da República terceirizou o trabalho sujo contando com os serviços da direção executiva do PT liderados pelo "companheiro" José Dirceu. Julgando como incompetentes os companheiros nas incumbências que lhes foram dadas, Lula agora entendeu que se eleito tem todas as prerrogativas (direitos, privilégios, vantagens) dadas pela sociedade com sua reeleição - sejam lícitas ou não - e vai construir, com a posse do novo Congresso, pessoalmente a governabilidade. Isto me preocupa.

Por Vera Rosa e Vanice Cloccari, em O Estado de São Paulo: "Na cerimônia de lançamento de seu programa de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os problemas políticos do País serão resolvidos “na eleição” de 1.º de outubro. Em tom de quem será reeleito no primeiro turno, o presidente mostrou ontem confiança em dias melhores, afastou a crise do horizonte e disse que terá “vida nova” com a posse do novo Congresso porque construirá “pessoalmente” a governabilidade, acenando até mesmo na direção dos adversários. Deu a entender que a vitória contundente nas urnas vai blindá-lo contra crises políticas e institucionais. (...)" - Leia mais aqui

terça-feira, agosto 29, 2006

Carregado em generalidades, programa de governo petista destaca necessidade de crescimento mais acelerado, mas abandona metas quantitativas

Por Vera Rosa e Sérgio Gobetti, em O Estado de São Paulo: "O programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo mandato vai trocar o discurso inflamado da mudança na economia, contrário à armadilha fiscal, por compromissos mais políticos, que debitam na conta da "herança" recebida dos tucanos as restrições impostas até agora aos investimentos. A plataforma que será lançada hoje, em cerimônia com a presença de Lula, destaca a necessidade de crescimento mais acelerado, mas abandona a meta de 7% ao ano, prevista em 2002. Além disso, mantém inalterado o superávit primário - economia de gastos para pagamento dos juros da dívida. (...)

Nas ações classificadas como "prioritárias", o novo programa de Lula ressuscita a retórica da inclusão social como "eixo do desenvolvimento". O texto afirma que o esforço para estabilizar a economia deve cumprir os objetivos de "crescimento com distribuição de renda".Depois do escândalo do mensalão, a defesa da reforma política - que já constava no programa de 2002 - volta à cena em nova embalagem, muito mais vistosa. Ela agora integra o time das medidas prioritárias para a governabilidade. O conteúdo, porém, é o mesmo: a pregação da fidelidade partidária, do financiamento público de campanha e do voto em lista para cargos no Legislativo.(...)

Escaldado pelos efeitos perversos de promessas não cumpridas - como a de criar 10 milhões de empregos - e após assegurar que o governo do PT resgataria a vocação do Brasil para crescer 7% ao ano, Lula evitará metas quantitativas(...)" - Leia mais aqui

segunda-feira, agosto 28, 2006

Em apenas um mês, gasto com Bolsa-Família cresce 60%

Por Expedito Filho e Fernando Dantas, em O Estado de São Paulo: "O desembolso com o programa Bolsa-Família deu um salto de 60% em apenas um mês, saindo de R$ 597,7 milhões em junho para R$ 952,4 milhões em julho, período que coincidiu com a melhora da avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, apontada pelos institutos de pesquisa. No Nordeste, região de maior popularidade de Lula e onde ele obtém maiores intenções de voto, o aumento em julho foi ainda maior, atingindo 93% - de R$ 245,8 milhões para R$ 473,8 milhões. (...)

Até julho, os benefícios do Bolsa-Família consumiram R$ 4,3 bilhões, faltando aproximadamente R$ 4 bilhões para serem despendidos até o fim do ano. Até junho, porém, a média mensal era de R$ 577 milhões.A partir daí, a média mensal (para se desembolsar todos os recursos orçados para 2006) aumenta em 44%, para R$ 800 milhões, acompanhando meses eleitoralmente decisivos, como julho, agosto, setembro e, em caso de segundo turno, outubro.(...)" - Leia mais aqui

A tese do 1/3

Recente pesquisa Estado/Ibope confirma a tese do 1/3. Uma conjugação das pesquisas realizadas com eleitores no Estado de São Paulo e eleitores brasileiros ( incluindo os paulistas) explicita que 1/3 vota em Lulae 1/3 não vota em Lula de forma alguma - acredito que seja o atual eleitorado de Geraldo Alckmin -, restando 1/3 denominado desengajado.

Considerando a bipolarização entre os candidatos Lula e Geraldo - eles disputam este 1/3 - e a apática campanha deste último, assim como sua incapacidade de se mostrar como alternativa, entusiasmar até mesmo os companheiros partidários e conquistar os votos necessários, sou obrigado a assumir: Prevejo que tenhamos de aguentar o "Sapo-Barbudo Apedeuta" por mais quatro anos.

O tucanato, sobretudo o presidente Tasso, Fernando Henrique e Aécio Neves, deve estar se perguntando se a escolha por Geraldo Alckmin e não José Serra como candidato ao Planalto pelo PSDB teria sido equivocada. Eu respondo: Sim. Vocês erraram.

Em O Estado de São Paulo: "(...) A pesquisa Estado/Ibope em São Paulo apurou que 51% dos eleitores paulistas ainda estão indecisos e 9% deles prometem votar em branco ou nulo. (...)

(...) Mas quando vai escolher o futuro presidente, (...)os eleitores paulistas se definem com mais facilidade - tanto quanto a média nacional. Na pesquisa espontânea para presidente, 28% escolhem Lula e 27% apontam Alckmin. Os indecisos são 31% e 7% indicam que vão votar em branco ou nulo. Ou seja: há 38% de eleitores paulistas que se dizem desengajados.

Os eleitores brasileiros, na média, se enquadram em porcentuais bem parecidos. A pesquisa nacional Estado/Ibope, divulgada ontem, apontou que, na pesquisa espontânea, há 32% de eleitores indecisos e mais 7% que prometem votar em branco ou nulo, em todo o Brasil. Assim, o total de eleitores que se declaram desengajados no plano nacional é de 39% (incluídos os paulistas na ponderação)." - Leia mais aqui

sexta-feira, agosto 25, 2006

Estado brasileiro se apropria de quase 38% do PIB

Por Ribamar Oliveira, em O Estado de São Paulo: "Em 2005, a carga tributária bruta total (que inclui toda a arrecadação com impostos, contribuições, taxas e demais tributos da União, dos Estados e dos municípios) atingiu 37,37% do Produto Interno Bruto (PIB) (...)

A carga do ano passado é um novo recorde e ficou 1,49 ponto porcentual acima da registrada em 2004 (35,88% do PIB) e 1,76 ponto porcentual superior à de 2002 (35,61% do PIB). (...)

Quem mais contribuiu para o resultado foi a União, cuja arrecadação total atingiu R$ 507,17 bilhões, ou 26,18% do PIB." - Leia mais aqui

quinta-feira, agosto 24, 2006

Em período eleitoral, não poderia ser diferente: Cresce o gasto governamental

Por Adriana Fernandes e Fabio Graner, em O Estado de São Paulo: "Com a proximidade das eleições, as despesas do governo federal deram novo salto e aumentaram 12,9% em julho, em comparação com o mês anterior. De janeiro a julho, os gastos do governo Lula já cresceram 14,8%, enquanto as receitas subiram em ritmo menor: 11,1%. Apesar do aumento, apenas 2,6% do total de R$ 211,49 bilhões de despesas do período foram destinados para investimentos." (...) - Leia mais aqui

quarta-feira, agosto 23, 2006

Lula disse, mais uma vez equivocadamente, que a inflação de 2005 foi a mais baixa dos últimos dez anos. Ignorância, má fé ou, na verdade, a intenção do presidente era dizer que foi a menor da história por entender que a história tem como marco inicial as eleições de 2002?

Por Carlos Marchi, em O Estado de São Paulo: "O programa de televisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, errou ontem ao afirmar que o governo petista conseguiu "a inflação mais baixa dos últimos dez anos", provavelmente se referindo ao índice de 5,69%, em 2005, o menor do atual governo. Este, na verdade, é o terceiro índice mais baixo dos últimos dez anos; a mais baixa do decênio ocorreu no primeiro governo do seu arqui-rival Fernando Henrique Cardoso, em 1998, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 1,65%; a segunda mais baixa também foi no primeiro governo FHC, em 1997 (5,22%)." (...) - Leia mais aqui

domingo, agosto 20, 2006

Balança Comercial contribuirá, negativamente, para o desempenho do PIB

Por Márcia de Chiara, em O Estado de São Paulo: "Pela primeira vez desde 2000 o setor externo dará contribuição negativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por causa do real valorizado em relação ao dólar e da elevada taxa de juros, que mantém o câmbio baixo.Nas contas da LCA Consultores, o saldo das exportações e importações de produtos e serviços deve contribuir com 0,9 ponto porcentual negativo para o desempenho do PIB (...)

Segundo o economista da LCA, Braulio Borges, a contribuição negativa do setor externo é a maior desde 1995 (-3 pontos porcentuais) (...)" - Leia mais aqui
Estudo revela: Brasil prefere o assistencialismo financiador da pobreza, não cria condições básicas de desenvolvimento e, assim, torna o indivíduo dependente de um Estado excessivamente intervencionista


Por Sérgio Gobetti e Lígia Formenti, em O Estado de São Paulo: "Os governos municipais, estaduais e federal aplicaram no ano passado cerca de R$ 425 bilhões na área social, o maior gasto dos últimos 15 anos, mas 59% desse total foi despendido no pagamento de benefícios e transferências às famílias e só 41% foi para ações que efetivamente podem mudar a vida das pessoas. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pelo economista José Roberto Afonso, que faz uma radiografia completa das despesas dos governos em 2005. (...)

Os dados (...) mostram que o gasto social brasileiro é um dos maiores da América Latina, mas não tem a mesma qualidade de outros países com bons indicadores. (...)

No ano passado, os benefícios consumiram R$ 251,9 bilhões dos cofres públicos no Brasil, enquanto as chamadas 'ações estruturantes' (...) não passaram de R$ 173,1 bilhões.

'Estamos confundindo política social com assistencialismo'.(...) observa Afonso."
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Lula e o PT: indistintos

Em O Estado de São Paulo: "Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reabilitou ontem o vermelho e o número 13 do PT em seu terceiro programa eleitoral gratuito na TV. Nas duas edições anteriores, Lula havia eliminado o partido de sua biografia. Já ontem, o presidente-candidato surge em sucessivas cenas de comícios que fez desde o início da campanha pelo País, imagens que são povoadas por bandeiras vermelhas e brancas com o símbolo petista.(...)" - Leia mais aqui

Redução da atividade econômica industrial empurra a previsão do PIB para 3,5%

Por Márcia de Chiara, em O Estado de São Paulo: "O ritmo de atividade da indústria e do comércio começou o segundo semestre com o freio de mão puxado. (...)

Uma conjugação negativa de fatores, como juros reais elevados, crise agrícola, perda de dinamismo do setor exportador e aumento da inadimplência, jogou um balde de água fria nas expectativas positivas dos empresários para este semestre. (...)

o ritmo de produção e vendas de julho e agosto indica que a expansão de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), prevista pelo governo para 2006 é cada vez mais uma miragem. Em junho, a produção da indústria medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuou 1,7% na comparação com maio (...)

Neste mês, houve reação positiva em relação a junho e julho, dizem os empresários, mas ainda insuficiente para elevar a produção ao nível inicialmente previsto. Por isso, as consultorias reduzem as projeções tanto de produção industrial como do PIB deste ano. O mercado já trabalha com a previsão de crescimento de 3,5%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Há quem acredite que o PIB cresça 3%
." - Leia mais aqui

segunda-feira, agosto 14, 2006

Atividade Política, Ética e Eleições Presidenciais

A Política é inerente à natureza humana e à organização social. Um estudo científico, empírico, dos mais remotos grupos primitivos a mais complexa sociedade nos permite uma afirmação: a atividade política é claramente presente.

Os grupos sociais desenvolveram-se, evoluíram, surgiu o Estado. Nesse período, não é difícil descrever uma rudimentar atividade política e os determinantes da liderança – ora a força, ora a sabedoria, a inteligência, o desenvolvimento técnico. Mas como conceituar a atividade política na sociedade moderna e contemporânea?

Segundo João Ubaldo Ribeiro, em Política, “a Política passa a ser entendida como um processo através do qual interesses são transformados em objetivos e os objetivos conduzidos à formulação e tomada de decisões”, a canalização de interesses com a finalidade de obter decisões que afetam diretamente a coletividade e, indiretamente, o indivíduo. Participamos politicamente através do voto e da atividade política, sendo aquele parte integrante desta.

O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”, escreveu Arnold Toynbec. Na mesma linha, escreveu Edmund Burke: “tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam” .

Iniciada a campanha, estamos em processo eleitoral. Nos últimos dias (este artigo foi escrito antes do primeiro debate presidencial), os candidatos participaram de entrevistas no rádio e na TV que, como forma de elucidar o leitor-eleitor, passaremos a analisar, dando maior atenção para a entrevista de Lula, Presidente da República em exercício e apontado como reeleito. (lembrando que as estratégias políticas e principais propostas de governo dos candidatos podem ser lidas no Blog do Ewerton através do endereço: http://ewertonclemente.blogspot.com).

Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB, apresentou como base de seu programa de governo Trabalho, Renda e Ética. Tendo como objetivos precípuos crescimento e geração de trabalho e renda, foi muito bem quando apresentou números relativos à sua administração como a redução do número de homicídios em quase 45% entre 1999 e 2006. No entanto, ficou confuso e confundiu a todos quando não soube explicar a diferença entre as denúncias e casos de corrupção que envolveram Eduardo Azeredo quando candidato e Lula enquanto presidente.

Heloísa Helena, candidata pelo PSOL, apresentou-se como a “versão feminina” de Lula, afirmando que objetivos programáticos-partidários nada tem que ver com programa de governo, nos levando à conclusão de que utilizará do mesmo maquiavelismo petista para implementar seu projeto radical somente quando estiver no governo. Citou sobretudo a redução dos juros da economia brasileira, a luta pelo resgate ético-moral e pela democracia (?) como pontos de seu programa de governo. Retirou do guarda-roupa a vitrola esquerdista, ressuscitou chavões da esquerda estúpida (embora um pouquinho mais paz e a mor), definiu o socialismo como “a mais bela declaração de amor à humanidade” e declarou que “não há no Planeta Terra nenhuma experiência socialista”, buscando isentar a ideologia da carnificina empreendida.

Cristovam Buarque, candidato pelo PDT, trouxe como prioridade de seu programa de governo a Educação, apresentando um programa monotemático. Não falou na crise da Segurança Pública que atinge São Paulo, mas é nacional. Tentou desconstruir a relação direta entre a perda da reeleição pelo governo do DF e sua reprovação como governante, assim como a imagem de que é inteligente e criativo, mas não possui capacidade executiva. De uma forma um tanto quanto confusa, afirmou que não teve habilidade política no Ministério da Educação, mas que a teria na Presidência.

Luis Inácio Lula da Silva, candidato pelo PT, afirmou que pretende continuar fazendo o que fez nesses quatro anos. E foi, ao menos desta vez, coerente não definindo prioridades para seu governo, além do assistencialismo meramente eleitoral.

O casal que apresenta o JN, da Rede Globo de Televisão, lembrou da denúncia feita pelo Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, em que este fala de uma quadrilha de 40 integrantes tendo como cerne José Dirceu – leia-se Poder Executivo – e dirigentes executivos do PT e questionou se o presidente insistia na afirmativa de que desconhecia o esquema de corrupção conhecido como “mensalão”, assim como perguntou qual a garantia que ele dava de que não aconteceriam novos casos de corrupção envolvendo “companheiros”.

Em resposta, o presidente Lula mentiu, como, por exemplo, afirmando que havia demitido José Dirceu, verbalizou que os erros foram cometidos por pessoas e não pelo partido, assim como, estrategicamente, quis convencer a todos que a corrupção advém de outros governos, que estava “embaixo do tapete” e só apareceu porque decidiu por investigar.

Para discutir se esta “crise” é de pessoas, institucional ou estrutural – tomando como referência o Partido dos Trabalhadores – é necessário, antes de mais nada, estudar sua orientação ideológica.

Além de correntes marxistas, mistura submaquiavelismo sem precedentes e Totalitarismo Moderno destacando-se a teoria gramsciana para o Moderno Príncipe (leia-se o partido) em que este tem não só a prerrogativa, mas a incumbência de relativizar e definir aquilo que é virtuoso ou criminoso de acordo com suas necessidades e preferências. Em nome da causa, tudo é permitido. Inclusive o desrespeito à lei e ao Estado de Direito.

Notadamente, a corrupção brasileira é endêmica e reflete a própria sociedade. Não significa condescender, entretanto a corrupção que envolvia a classe política se resumia à apropriação privada de recursos públicos por alguns políticos, sendo combatida pela sociedade através do voto ou da participação política . Muito diferente é, segundo o professor Denis Lerrer, da UFRGS, a corrupção leninista, em que aparelha-se o Estado, com posterior desvios de recursos públicos para financiamento partidário.

O PT estruturou o maior esquema de corrupção jamais concebível na história da República, denunciando a natureza essencial petista. Portanto, tratando-se do PT, não há crise, há revelação. Assim como, de forma genérica, a crise política que se instalou no governo não possui fatores exógenos, nem é resultante de outros governos, ela nasceu neste governo e foi denunciada, não pelo Executivo, mas por seu fisiológico aliado: Roberto Jeferson.

Devemos insistir ainda na questão do Estado de Direito, visto que o presidente faz, demagogicamente, sua defesa. Um Estado de Direito deve garantir três direitos individuais básicos: o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Atenta contra eles quando incita conflitos no campo; quando se mostra complacente com “movimentos” inconsequentes ditos populares como o MST e outros; quando estabelece a oposição inexistente entre agricultura familiar e agronegócio; quando insiste no assistencialismo que conquista votos, mas que cria uma dependência excessiva do governo, já que este não oferece condições básicas de desenvolvimento.

É responsável direta e indiretamente pela ascensão e, quase, transmutação para um Estado de Natureza quando reduz os gastos com investimentos em segurança pública – referentes ao Fundo Nacional de Segurança Pública, Fundo Penitenciário Nacional e orçamentos da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal para operações nos estados – no Estado de São Paulo em 86,7%, considerando o período compreendido entre 2002 e 2005. Diretamente porque a segurança pública é uma questão nacional. Indiretamente porque, por consequência, não permite ao governo do Estado de SP fazer os necessários investimentos para, ao menos, minorar a situação problemática.

Por fim, pesquisa recente de um reconhecido instituto pergunta aos eleitores quais os requisitos que deve possuir um candidato para escolha do voto. A resposta é: 1º) Ética / Combate à Corrupção e 2º) Competência. E envia o seguinte recado aos políticos: Além de competência, um candidato deve, muito mais, reunir a capacidade de resgatar a ética e moralidade política.
Qual dos candidatos poderia faze-lo? Certamente, a resposta não é Lula.

Ewerton Clemente é estudante de Ciências Econômicas
na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)

domingo, agosto 13, 2006

Após revelar proximidade com o Partido dos Trabalhadores, PCC utiliza discurso esquerdista na tentativa de legitimar sua "causa" (?)

"Tudo o que ocorreu não foram rebeliões, nem badernas e sim revolução de todos os presos (...)" - GRITO DOS OPRIMIDOS ENCARCERADOS

"O que se vê há anos é descaso total para com o cidadão por parte daqueles que por eles são eleitos(...)" - CARTA AOS CIDADÃOS

Após revelar a proximidade entre as duas agremiações que se autodefinem como políticas, mas, na verdade, são criminosas - O PT e o PCC -, o Primeiro Comando da Capital está se apropriando, maquiavelicamente, da ideologia esquerdista e politizando seu discurso na tentativa de justificar suas ações.

Destaco ainda: Ficaria surpreso, se não tivesse estudado seu livro A Globalização e o Futuro da Humanidade ao ler que Leonardo Boff, um dos protagonistas da expansão das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil (CEB), tenta justificar o injustificável e prega o diálogo com insanos e terroristas (o que seu livro já explicita) como forma de minorar a violência.

Por Bruno Paes Manso, em O Estado de São Paulo: "'Grito dos oprimidos', 'revolução', 'libertação', 'caminhada', 'conscientização', 'excluídos', 'reparação das injustiças sociais' como justificativa para ataques e assassinatos. O Primeiro Comando da Capital (PCC) está se apropriando dos jargões usados pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e demais movimentos sociais marxistas que atuaram com força nas periferias de São Paulo nos anos 1970 e 80 na tentativa de elaborar um discurso que ofereça legitimidade à violência provocada nas últimas três ondas de ataques em São Paulo. (...)

A politização do discurso dos criminosos paulistas é vista como uma novidade no cenário da violência em São Paulo. 'São ainda falas toscas, mas que podem ser aprimoradas e ter um efeito persuasivo junto a uma parcela da população', avalia o professor de Filosofia e Ética da Universidade de Campinas (Unicamp), Roberto Romano. 'Isso é perigosíssimo. São falas que colocam ao jovem que ele não será simplesmente um ladrão de tênis ao aderir ao crime, mas um justiceiro. Assistimos à lenta e eficaz gestação de uma ideologia assassina.' (...)

A apropriação dessa linguagem pelos bandidos é estratégica. Os integrantes do PCC precisam se apresentar como injustiçados e, para isso, a construção de uma ideologia é fundamental."O filósofo define ideologia como discursos e representações que apresentam uma realidade complexa com enunciados simplistas, investindo contra os fatos em benefício próprio. (...) - Leia mais aqui

H2: ternura, bravura e loucura na TV

Por João Domingos, em O Estado de São Paulo, edição de hoje : "Uma morena de 44 anos, magra e pequena, vai abrir, às 13 horas de terça-feira, o horário eleitoral gratuito da campanha presidencial. Com sotaque nordestino, vai adotar um discurso semelhante ao que ajudou o atual ocupante do Palácio do Planalto a se eleger, dizendo que é hora de mudar de vez a história do País. 'Realizar o sonho de mais de 500 anos é possível. A hora é agora. Sou a alternativa de mudança para o Brasil', dirá Heloísa Helena Lima de Moraes Carvalho, a candidata do PSOL que vem surpreendendo nas pesquisas. (...)
'Vou procurar mostrar o que toda mulher brasileira tem: ternura e bravura', diz a candidata. Ao eleitor, vai se dirigir com ternura. Ao PT, que está no governo, e aos partidos de oposição como o PSDB e o PFL, será com bravura. Nos programas, quando falar de outros candidatos, fartará os eleitores de expressões como 'delinqüentes, vassalos, vendidos, moleques de recado, pilantras, bandidos e promíscuos'.
(...)Heloísa fará seus outros 18 programas baseada em três linhas de ação: críticas aos juros pagos ao sistema financeiro, busca da conquista de direitos sociais e ataques à corrupção..." - Leia mais aqui

Cristovam: monotemático e apático

Por João Domingos, em O Estado de São Paulo, edição de hoje: " 'A idéia que temos discutido com o candidato Cristovam é a de fazer uma campanha propositiva, sem xingar ninguém, sem raiva, sem ataques', conta ele. 'Será uma campanha bem-humorada, com muita computação gráfica.' Outro ponto acertado em comum acordo entre Cristovam e seus amigos foi o de que é preciso passar para a população a mensagem de que o programa de governo não é monotemático, ou seja, não ficará batendo somente na educação, mas partirá dela para buscar as soluções para todos os problemas.
Foi Cristovam quem criou o slogan da campanha - 'Educação é tudo'. Com o tema por base, o candidato e os jornalistas debatem as formas de avançar para as outras áreas (...)
Para tanto, citará os exemplos de Irlanda e Coréia, que há 30 anos se equiparavam ao Brasil na área da educação. Investiram no ensino e hoje exportam saber e tecnologia. Os programas vão procurar mostrá-lo como criativo e realizador. 'O governo Lula e o PT divulgam uma falsa imagem do candidato, de que ele é criativo mas nada realiza', diz Emediato. (...)" - Leia mais aqui

Alckmin: propostas de crescimento e renda e promessa de debate sobre ética e moralidade. Será?

Por Carlos Marchi, em O Estado de São Paulo, edição de hoje: "Trabalho e renda - este binômio será o pilar do conjunto de propostas que o candidato Geraldo Alckmin vai explorar em seus programas de televisão e rádio, nos quais vai apresentar idéias para criar pólos de desenvolvimento no interior. O primeiro programa de TV, gravado ontem, contará quem é o candidato, mostrando uma trajetória política que transitou por todos os cargos legislativos e executivos (...)

Nas edições seguintes, os programas passarão a ter dois vetores bem definidos. No principal deles, o candidato terá uma participação mais intensa e mostrará as suas propostas para o País; o segundo vetor abordará o que assessores de Alckmin chamam de 'princípios éticos e morais'. (...)

Na parte principal do programa, Alckmin apresentará propostas para o crescimento e geração de emprego, focando no agronegócio e na mineração (...)

Ele terá três números na ponta da língua para defender o agronegócio como uma das molas capazes de criar o que ele insistentemente rotula de 'oportunidades' no interior brasileiro: o setor representa 32% do PIB nacional, emprega 37% da força de trabalho e domina 42% das exportações..." - Leia mais aqui

Lula promete apresentar, agora, o governo que ninguém viu. Só ele.

Com um gasto de R$ 8,2 milhões, o que representa 9,21% do total do gasto máximo de campanha declarado, Lula e sua equipe vão "exibir no horário eleitoral 'o governo que ninguém viu'" tendo como slogan de campanha "Lula de novo. Com a força do povo"
Tendo por base o fato de que a maioria da população brasileira, equivocadamente, identifica a corrupção brasileira como um problema estrutural, sistêmico e entende que Lula nada tem que ver com os casos de corrupção como o mensalão e os sanguessugas, abordará a crise política que envolve o Planalto somente em último caso e jamais de forma direta, procurando manter a separação aparente entre o PT e o governo.
A idéia é apresentar em seus programas os números de seu governo sobretudo nas áreas social e de infra-estrutura, comparando também temas como emprego, salário e comércio exterior com os oito anos de governo do PSDB.
Por fim, resgata sua história petista e práticas políticas, utilizando de um terrorismo político-eleitoral afirmando que possui uma espécie de dossiê contra os tucanos que poderia ser usado caso "a artilharia do PSDB seja muito pesada". Ou é pura bravata para intimidar a direção de campanha. Ou é verdade, o que seria muito pior, pois revelaria que Lula e o PT estão muito pouco preocupados com a população, a ética e a moralidade política.
Por Vera Rosa, em O Estado de São Paulo, edição de hoje: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma missão ao publicitário João Santana: exibir no horário eleitoral 'o governo que ninguém viu' por causa da crise política. Com essa estratégia, o programa de Lula que estréia na terça-feira será amparado por uma estrutura narrativa, enumerando os 'resultados' de sua administração. Sai de cena o estilo glamouroso de Duda Mendonça e entra no ar uma propaganda mais pragmática, com depoimentos que lembram a novela Páginas da Vida. Menos PT e mais governo.
A crise que atingiu o Palácio do Planalto e destruiu a bandeira da ética carregada pelo PT em outras campanhas será abordada apenas em último caso e, mesmo assim, de forma indireta. Pesquisas qualitativas encomendadas por João Santana indicaram que os escândalos do mensalão e dos sanguessugas não colaram no presidente. (...)
Se for provocado pelo adversário do PSDB, Geraldo Alckmin, Lula insistirá em que sua gestão foi a que mais investigou e puniu. Detalhe: o governo armazenou denúncias de corrupção que teriam sido 'engavetadas' na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Em conversas reservadas, petistas dizem ter uma espécie de dossiê, que somente será usado se a artilharia do PSDB for muito pesada.
ÂNCORA
Com 7 minutos e 21 segundos, o programa de TV da coligação 'A Força do Povo' (PT, PC do B e PRB) terá o presidente-candidato como âncora, mas também contará com apresentadores. A idéia é comparar indicadores produzidos em quase quatro anos da era Lula - como emprego, salário e saldo comercial - com os oito do governo 'deles', como o presidente se refere às duas gestões de Fernando Henrique (1995 a 2002). (...)
Embalado pelo baião 'Lula de novo. Com a força do povo', o horário político mostrará muitas cenas de Lula nas ruas. Serão exibidas, ainda, várias 'realizações' do governo: dos programas sociais, como Bolsa-Família e Luz para Todos, às obras de infra-estrutura em hidrelétricas, portos e estradas. No estilo prestação de contas, o presidente dirá que, se um mandato valeu a pena, quer mais uma chance para fazer 'mais e melhor'. (...)
Longe dos tempos em que o vermelho do PT predominava na propaganda de Lula, o tom escolhido por Santana para esta campanha é o azul. O 13 do PT aparece em verde e amarelo e o logotipo "Lula" em branco. (...)" - Leia mais aqui

Campanha na TV começa em 15 de Agosto


A corrida entre os presidenciáveis tem início terça-feira, dia 15 de Agosto.
Lula tentará, muito mais, defender sua colocação nas pesquisas que o apontam como reeleito. Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque buscarão, além da defesa dos votos que já tem, sobretudo a conquista de novos votos.
As estratégias de campanha seguem acima.

segunda-feira, junho 05, 2006

A Petrobrás e a crise entre Brasil e Bolívia

A decisão do governo boliviano de nacionalizar a exploração de petróleo e gás nacionais denunciou uma crise político-diplomática com impactos econômicos para Brasil e Bolívia ainda incertos.Primeiramente, para entender esta crise, analisaremos, brevemente, a história da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás) e o contexto em que se dá a construção da Petrobrás Bolívia e do Gasoduto Brasil-Bolívia (GASBOL). Posteriormente, discutiremos a crise em seus aspectos econômico, social, político e jurídico-legal. Por fim, faremos uma reflexão de todo este processo com a finalidade de buscar alternativas e soluções para seus impactos no Brasil.A história da Petrobrás se confunde, historicamente, com a da indústria petrolífera brasileira, embora hoje haja uma diversidade na matriz energética nacional. Ela passa por três momentos fundamentais para sua história: a criação do Conselho Nacional de Petróleo (CNP) em 1939 com o objetivo de regularizar e estruturar a atividade, tornando o recurso patrimônio da União; os choques do petróleo em 1973 com a descoberta dos campos marítimos de Campos (RJ) e Santos (SP) contribuindo para a diferenciação da empresa na exploração de águas profundas e ultraprofundas, assim como temos a introdução dos contratos de risco, considerada a primeira fase de internacionalização, que possibilitou o conhecimento de significativas informações geológicas e 1978 que balançou os pilares da indústria nacional estimulando investimentos na prospecção de jazidas em território nacional visando redução da dependência externa e concorrendo para aumento exponencial da produção marítima de petróleo; e sobretudo, a Lei do Petróleo em 1997 que cria a Agência Nacional do Petróleo ANP) e flexibiliza o monopólio estatal implementando não somente mudanças tecnico-administrativas, mas uma redefinição no papel do Estado que passa de provedor e produtor para regulador e fiscalizador.A criação da Petrobrás Bolívia S. A. (PEB), em 1995, fez parte de um acordo binacional de integração energética entre Brasil e Bolívia com o objetivo de reduzir a dependência que o Brasil possui do petróleo e da energia produzida pelas usinas hidrelétricas, assim como esteve estrategicamente ligada à exploração das reservas de gás e à garantia de fornecimento ao gasoduto Brasil-Bolívia (GASBOL), com uma extensão de 3.150 km totalizando um investimento de US$ 8 bilhões, segundo a Petrobrás.Para entender a crise é preciso, também, analisa-la sob seus diversos aspectos.Desde sua independência em 1825 até os dias de hoje, a história boliviana é marcada por várias guerras e crises políticas, contribuindo para que a Bolívia perdesse mais de ¾ (três quartos) de seu território, assim como o acesso para o mar na Guerra do Pacífico contra o Chile. O país retornou à democracia em 1982, entretanto há uma distância enorme para a consolidação democrática. Evo Morales é seu 65º presidente.A crise denunciada com a nacionalização das reservas de gás natural e petróleo teve origem no aumento da tributação da exploração. Em 2005, o Congresso aprovou uma lei que criou, para as companhias de petróleo, um imposto de 32%, além dos 18% que já eram cobrados, totalizando 50%.Com a nacionalização, no início de agosto de 2006, a Bolívia aumentou o imposto sobre o gás, por um período de 180 dias (período de transição), para 82% enquanto calcula os custos de operação, investimentos e amortizações, bem como de rentabilidade para fixar, definitivamente, a participação das companhias nos novos contratos, que hoje é de 18%. Determinou que as empresas estrangeiras devem entregar toda sua produção para a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), agora representante do Estado e responsável pela produção, refino, comercialização, distribuição, transporte e industrialização dos hidrocarbonetos, definindo condições, volumes e preços tanto para o mercado interno como para o externo. Assim como a estatal boliviana YPFB passa a ter o controle acionário de, no mínimo, 51% das empresas da Petrobrás e outras estrangeiras que estão na Bolívia.“A hora chegou, o dia esperado, um dia histórico no qual a Bolívia retoma absoluto controle sobre nossos recursos naturais...com essa medida serão resolvidos os problemas econômicos do país...”, discursou Morales durante a leitura do decreto de nacionalização.De fato, a Bolívia tem dentre seus desafios a pobreza e a miséria. Quase 70% da população do país mais pobre da América do Sul vive abaixo da linha de pobreza. Tal situação seria o “pseudo-argumento” de Morales para a nacionalização, acreditando que um possível crescimento econômico (lembrando que é irresponsável o esforço que se faz para expulsar uma empresa mista brasileira, país que é responsável por 33% das exportações bolivianas) terá como conseqüência direta a melhoria da qualidade de vida, influenciado pelo nacional-populista Hugo Chávez.“...embora a história nunca se repita em condições idênticas, e exatamente porque o seu desenrolar nunca é inevitável, podemos de certo modo aprender do passado e evitar a repetição de um mesmo processo. Não é preciso ser profeta para dar-se conta de perigos iminentes.”, escreveu Friedrich A. Hayek, prêmio Nobel de Economia em 1974, em seu livro O caminho da Servidão.Quando Chávez assumiu a Presidência da Venezuela, em 1999, o preço internacional do barril do petróleo era US$ 10. Hoje está acima de US$ 70. O preço do combustível ajudou a economia venezuelana a crescer 17% em 2004 e 9% em 2005 (a China cresceu 9,9% em 2005). O lucro da empresa estatal PDVSA, com maior participação na atividade petrolífera nacional, teve crescimento de mais de 50% (50 pontos percentuais).Entretanto, o crescimento econômico não trouxe melhoria da qualidade de vida da população. O governo de Chávez é uma reunião de populismo e assistencialismo financiado pelo petróleo. Torna a população demasiadamente dependente do governo e não cria condições básicas e fundamentais para o desenvolvimento independente. Assim como, sua base de sustentabilidade governamental é exatamente essa parcela mais pobre da população, quase triplicada no governo Chávez, atingida por políticas meramente assistencialistas.“Quando o preço do petróleo cair, todo o sistema de apoio popular montado por Chávez vai desabar e jogar o país em uma crise econômica e social mais grave do que a vivida pela Argentina em 2001”, segundo Elsa Cardozo, da Universidade Central da Venezuela.No atual governo venezuelano, a classe média encolheu 57%; o número de pobres aumentou 25%; o desemprego passou de 11% a 16%; em competição desigual e desleal com o governo, assim como em virtude da restrição de liberdade econômica metade das indústrias fecharam; os empregos informais aumentaram 45%; a inflação subiu de 11% para 17% ao ano; o investimento estrangeiro caiu pela metade; a dívida do setor público dobrou. Ainda é possível, o que não significa que seja desejável, impedir que a Bolívia incorra nos mesmo erros concorrendo para o mesmo quadro venezuelano.Por outro lado, mas ainda no aspecto político, analistas e estudiosos, ao fazerem suas avaliações da crise, consideram equivocadamente somente os aspectos social, econômico e, alguns, o jurídico-legal. Não enxergam um movimento populista e anti-imperialista latino-americano liderado por Hugo Chávez e integrado, até agora, por Argentina, Bolívia e Cuba. O Brasil está para a América Latina assim como os Estados Unidos estão para o mundo, sobretudo para aquele em desenvolvimento, é o lema do movimento com uma visão anticapitalista em que os EUA é o responsável pelas grandes mazelas do mundo contemporâneo. Comprovações são a contrariedade e hostilidade declarada destes países para com o Brasil na eleição da Organização Mundial de Comércio (OMC); na possível entrada do Brasil como membro do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU); na reunião do bloco, com exceção de Kirchner, dois dias antes da Bolívia decretar a nacionalização do petróleo e do gás; no empréstimo venezuelano de US$ 100 milhões para execução do projeto de reforma agrária boliviano, em que haverá expropriação e expulsão de sojicultores brasileiros, responsáveis por aproximadamente 35% da soja boliviana; na frase dita pelo ministro boliviano de hidrocarbonetos, invertendo a declaração do presidente Lula de que “tinha muita fumaça e pouco fogo” na tensão entre Brasil e Bolívia, afirmando “creio que tenha bastante fogo”.Quanto ao aspecto jurídico-legal, analisaremos a legalidade da nacionalização quanto à soberania e ao rompimento com os contratos.Quanto à soberania, a Constituição boliviana, assim como a brasileira, reconhece os recursos naturais como propriedade nacional e o direito a sua nacionalização, reconhecida [a soberania] pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1962. O grande problema está no fato de que a nacionalização se dá através da expropriação de bens e serviços seguida de pagamento indenizatório. A Bolívia declarou veementemente a decisão de não indenizar nenhuma das empresas.Por outro lado, o presidente Evo Morales rejeitou o artigo que incorporava à lei, que aumentou os impostos em 2005, 76 contratos firmados entre a Bolívia e empresas estrangeiras a partir de 1996 considerando-os ilegais por não terem sido aprovados pelo Congresso. Enquadrá-los na lei permitiria que as companhias estrangeiras pudessem processar o Estado boliviano, pois os contratos seriam validados. Assim como, literalmente rasgou contratos diplomáticos e impôs que as empresas deverão se adequar, nos termos da nacionalização, no prazo de 180 dias sob a pena de ser expulso do país. Entretanto, no caso da Petrobrás, foi a Petrobrás-Holanda quem fez os investimentos na Bolívia. Tendo um acordo com a Bolívia de proteção de investimentos, a Petrobrás poderá processar o Estado boliviano na justiça holandesa.Como vimos, a opção brasileira pelo gás natural foi estratégica e tinha como objetivo reduzir a dependência do petróleo, um combustível esgotável e não-renovável e com seu preço em constante elevação, assim como da energia produzida pelas usinas hidrelétricas, cenário que já anunciava a crise de 2001.É exatamente com a crise energética de 2001 que ganha força o gás natural como opção energética.Incentivados sobretudo pelo governo, sob o argumento e justificativa de que era um combustível menos poluente e mais barato, a indústria, o comércio, as residências, os veículos e as termelétricas passam a utilizar o gás natural. Em 2000, o Brasil consumiu 16 milhões m³/dia enquanto em 2005 o total atingiu mais 40 milhões de m³/dia. Mais de metade deste gás é importado da Bolívia. Estados como MT, MS, PR, SC e RS dependem totalmente do gás boliviano, ou seja, 100% de seu gás é importado da Bolívia.A grande dúvida é se haverá corte no fornecimento do gás boliviano para o Brasil com o decreto de nacionalização.A princípio, não. O que ocorreu foi o aumento dos impostos sobre o gás. Considerando o preço do gás muito abaixo do mercado, o governo boliviano quer um aumento de, no mínimo de 60% (o último aumento ocorreu em março e foi de 8%). Junte-se o fato de que desde 1999, quando o gasoduto começou a operar, o preço do gás natural subiu cerca de 311%, enquanto a variação da cotação do petróleo foi aproximadamente de 270%. O consumidor, por exemplo, paga pelo Gás Natural Veicular (GNV) cerca de um terço do preço da gasolina. Podemos inferir, portanto, que mais ou menos tarde o aumento deverá ser repassado ao consumidor. O repasse ainda não aconteceu em virtude de, mesmo com o aumento da demanda, os preços, de acordo com os contratos, são fixos independentemente do consumo. Por outro lado, a Petrobrás possui contratos com as distribuidoras que obedecem a critérios de reajustes já pré-definidos.Quais impactos teremos?No caso das residências, sofrerão o aumento do gás encanado ou terão que optar pelo gás de botijão (GLP), 80% mais caro que o natural.No caso dos automóveis, quase 1 milhão de carros deverão modificar a utilização do combustível para gasolina ou álcool, tendo de arcar com o ônus da reconversão ou modificação e com a diferença de preço.O caso mais preocupante é das indústrias e das termelétricas, que terão de optar por outro combustível. O óleo é muito mais poluente e mais caro, encarecendo a produção e impactando a economia. A utilização do álcool causaria uma reestruturação modificando a fonte utilizada seria muito onerosa e, ainda assim, há dúvidas quanto à possibilidade desta conversão.Por outro lado, a busca de fontes alternativas ou a auto-suficiência pode levar anos. O crescimento da demanda nos dois últimos anos foi de aproximadamente 20%, enquanto a ampliação da oferta está em 11%. Segundo as projeções da Petrobrás a auto-suficiência somente será alcançada em 2010.Qual a solução?Deixando de lado a inépcia e incompetência administrativa governamental brasileira ao esperar a crise anunciada e necessária para pensar alternativas e soluções, no momento podemos intensificar a exploração na potencial Bacia de Santos (SP) e buscar novas reservas de gás com vista para a auto-suficiência, entretanto é algo que não acontecerá no curto prazo. Assim como, firmar acordos com outros países para importar o gás natural e tentar, ao menos, minorar a gravidade da situação no curto prazo e processar a Bolívia na Holanda e em organismos internacionais para que se cumpra e respeite os contratos já firmados, discutindo o preço dos posteriores. Ou a Petrobrás abandona a Bolívia e agrava a crise brasileira e, muito mais, a boliviana.Por fim, agora podemos concluir que o Brasil sofrerá impactos notáveis com esta crise. Mas nada comparado a que poderá sofrer a Bolívia se a via escolhida por a segunda.

Ewerton Clemente é estudante de Ciências Econômicas na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)

quinta-feira, março 09, 2006

Política, ética e unidade


Asseguro, sem vacilação, que é possível conciliar política e ética...”
(Mário Covas)

Não dá para começar uma campanha se o partido não estiver unido
(Mário Covas)

Mário Covas foi um homem público exemplar. Possuia atributos como honestidade, ética e moral, que contribuiram para o rompimento do senso comum de que toda a classe política era desonesta.

Entretanto, depois de conviver tantas anos com o perene Covas, sua esposa nada aprendeu.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo(A6 – 05/03/2006), a Sra. Lila Covas, certamente numa concentração chico xavieriana, na mesma linha do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou seja, seguindo na contramão do conceito de concertação entre política e ética de Mário Covas e fazendo grande esforço para dividir o partido, revela quem é o candidato de Mário Covas para disputar a presidência da República se declarando bastante emotiva.

O candidato de Mário Covas à Presidência da República seria o governador Geraldo Alckmin... se ele for escolhido como o nome tucano, vou fazer campanha no Brasil inteiro
Notadamente, Chico Xavier deixou continuadores de sua obra. Estou pensando em fazer uma consulta. Por outro lado, se Serra for o candidato, a Sra. Covas não fará campanha para elege-lo.

Eu sempre apelei para o lado humano. Acho que a mulher tem uma visão mais humana das coisas”
Enquanto Mário Covas se guiava pela razão(não deixando de atentar para o lado humano), sua esposa guia-se pela emoção. Talvez por isso prefira Alckmin como candidato. O que não significa dizer que o governador não é racional.

Segundo Geraldo Alckmin, discípulo de Mário Covas, este “transpirava espírito público”. É exatamente espírito público que falta ao governador que insiste em uma birra, teimosia indefinível, descabida e sem precedentes.

Quanto à discussão da viabilidade política e ética da candidatura de José Serra, é preciso destacar alguns pontos.

1)É extremamente vazia a argumentação de que Serra não pode se candidatar a presidente e deixar a prefeitura de São Paulo por ter assinado um termo de compromisso que se deu por pressões e imposições petistas.

2)Serra, quando assinou tal documento, não poderia adivinhar a conjuntura política atual em que foi descoberto a montagem do maior esquema de corrupção da história republicana brasileira;

3)José Serra foi eleito prefeito de São Paulo com pouco mais de 3.300.000 votos. Esses eleitores paulistanos reconhecem Serra com um grande prefeito, entretanto desejam que Serra seja Presidente da República, notadamente por entender que ele tem um compromisso muito maior com o país e lá poderá fazer muito por São Paulo.

4)A candidatura de José Serra para presidente é a resposta ao chamamento maior, ao chamamento nacional.

5)É preciso pensar não somente no partido ao colocar como argumento anti-serra a saída da prefeitura e posterior assunção do vice-prefeito(que de acordo com entrevista dada ao jornal Estado de São Paulo) parece ser um ótimo administrador. Há que se pensar no Brasil. Todos conhecemos a história política de José Serra, bem como sabemos que poucos conhecem a economia brasileira como o prefeito de São Paulo. José Serra é o mais preparado.

Com muita propriedade, o ex-ministro e atual prefeito de Piracicaba/SP, Barjas Negri, disse em Encontro Regional partidário realizado em Piracicaba que o partido deve se unir, que o adversário é Lula e o PT.

Não conseguindo entender tal recado, talvez seja o caso de para o governador e aqueles que o apoiam com visão unívoca e promovem a desunidade, distribuirmos uma mamadeira com suco de chuchu... para eles pararem de chorar.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Explicação Judicial? ... Fácil defesa


Explicação Judicial?... Fácil defesa


Após, infelizmente não ter podido acompanhar a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao programa Roda Viva do dia 07/02/2006 e tomar ciência das declarações do presidente do Partido dos Trabalhadores, Ricardo Berzoini, faço alguns comentários em defesa de FHC que claramente seriam dispensáveis, todavia, tendo compromisso com a verdade e o esclarecimento da população, são extremamente necessárias.
Segundo Berzoini e o advogado do PT, João Piza, FHC deverá ser processado porque sua declaração de que a ética do PT é roubar “tipifica crime contra a honra do partido, dos militantes e de alguns dirigentes”, pois o conjunto de regras e normas comportamentais coletivas seria a definição sociológica de ética para um partido.
Conjunto de regras e de valores ao qual se submetem os fatos e as ações humanas, para aprecia-los e distingui-los é a definição conceitual filosófica para ética. Contudo vamos nos guiar, em nossa reflexão, sobretudo pela definição do presidente petista.
Sabidamente, o PT esteve historicamente comprometido com a ética. Qual ética? A sua. Aquela embasada na teoria do totalitarismo moderno gramsciano para o Moderno Príncipe de que era prerrogativa definir o que é virtuoso e criminoso de acordo com as circunstâncias, necessidades e sobretudo em defesa da causa maior(acreditando que fortalecendo seu partido, estaria defendendo a classe popular e beneficiando o país), tendo como notável prática a corrupção leninista(definição do professor Denis Lerrer da UFRGS), aquela em que se tem aparelhamento institucional e posterior desvios de recursos(públicos) para financiamento partidário e para instituição de seu projeto de poder, o que jamais pode ser comparado a caixa 2.
Visto isso, fica plausível e defensável a definição sociológica de Berzoini para ética. Bem como não há nada de errado com a declaração de FHC, sobretudo considerando 1) que o PT é uma agremiação extremamente sectária(na acepção impositiva) em que as idéias e práticas são claramente impostas; 2) os promotores da montagem do maior esquema de corrupção da história foram seu presidente de honra, o presidente do partido, o secretário-geral e o tesoureiro; 3) entendo que não há autonomia ideológica ou de qualquer outra natureza dentro do PT, excetuando-se aqueles que migraram para partidos outros esquerdistas e extremo-esquerdistas.
Portanto, são notadamente vazias as argumentações do advogado, Dr. Piza, para um processo condenatório. Acredito, inclusive, que não passa de mais uma bravata. Entretanto, não sendo e levado adiante para uma “explicação judicial”, a defesa será extremamente fácil.