
Certamente são muitos os temas e problemáticas sobre os quais deveríamos discutir neste momento, como por exemplo: 1) a inépcia administrativa governamental e idéias equivocadas sobretudo na área educacional, merecendo destaque a extinção do FUNDEF e criação do FUNDEB, assim como a definição do ensino superior como “pseudoprioridade” em detrimento à educação básica; 2) a relação entre as políticas fiscal e monetária e suas implicações econômicas; 3) os discursos ufanistas do presidente Lula ao usurpar os avanços registrados recentemente entendendo que são políticas assistencialistas que melhor distribuem a renda e não condições básicas de cidadania e desenvolvimento com justiça social; etc...
Entretanto, indo de encontro ao que pensa e à forma de trabalhar do governo federal, defino prioridades para garantir “eficiência” textual e melhor entendimento dos leitores.
Prefiro limitar-me à análise conjuntural do ponto de vista político e sobretudo à capacidade, possibilitada pelos programas sociais governamentais, de se criar uma grande confusão visual generalizada.
O presidente Lula, ultimamente, tem dado declarações insistindo que todas as denúncias de corrupção são infundadas e inverídicas, limitando-se ao uso sistemático de caixa 2, bem como não houve destinação de recursos públicos para o PT e para a base aliada, seja mensalmente ou não, fato supostamente comprovado pela ausência de provas da CPI’s(Comissões Parlamentares de Inquérito).
Refutando a tese do presidente da República, o sub-relator de movimentação financeira da CPI dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), faz à revista Primeira Leitura um balanço das certezas a que chegaram.
FARSA DOS EMPRÉSTIMOS
“Não há empréstimos de natureza nenhuma entre o empresário Marcos Valério e o Partido dos Trabalhadores – Delúbio Soares. O dinheiro foi repassado por Valério, como coletor, mas isso não quer dizer que o dinheiro seja dele. Valério não tem garantia, não tem promissória, não tem contrato de empréstimo, não tem nada com o PT. Marcos Valério recorreu à Justiça Federal, em São Paulo, para, supostamente, receber o dinheiro “emprestado” ao PT. O juiz deu prazo para o partido responder à notificação, e este respondeu que nada devia; deu dois dias a Valério para apresentar as provas, e ele não apresentou nada de concreto. O meritíssimo mandou arquivar o caso...”
A FESTA: 120 SACADORES
“Dos R$ 55 milhões que Valério diz ter tomado “emprestados” aos bancos, a metade foi identificada. Foi rastreada a movimentação, e se pode dizer que foi entregue a Delúbio e a quem ele indicou para receber. A outra metade não foi localizada. Há R$ 14 milhões sem origem identificada. E há uma lista de 120 sacadores, muitos deles por identificar. Muitos recursos foram sacados com cheques endossados por Valério e por seu sócio na DNA, Cristiano Paz. O Banco Rural diz que era comum não identificar esses cheques que tinham endosso dos dois empresários”
BB – VISANET
“O Banco do Brasil repassou um total de R$ 58,3 milhões para Valério – R$ 23,3 milhões em 12 de maio de 2003 e R$ 35 milhões em 04 de março de 2004. A origem do dinheiro era um contrato do BB para publicidade futura da Visanet(cartões de crédito) a ser desenvolvida pela DNA Propaganda, empresa de Valério. Menos de duas semanas depois de receber o primeiro repasse do BB-Visanet, ele, por meio da agência SMPB, tomou “emprestados” R$ 18,9 milhões para o PT no Banco Rural. Depois de receber a segunda bolada, a de R$ 35 milhões, Valério investiu, por meio da DNA, pelo menos R$ 10 milhões em CDBs no Banco de Minas Gerais(BMG). Essa aplicação foi usada como garantia para mais um “empréstimo” para o PT junto ao mesmo BMG, em 26 de abril de 2004 – esse “empréstimo” foi feito por outra empresa de Valério, a Rogério Tolentino Associados. Os repasses do BB-Visanet foram operados pelo diretor de marketing do BB, Henrique Pizzolato.”
O COMEÇO: JANEIRO DE 2003
“Valério usou sete contas para fazer pagamentos a Delúbio, à Guaranhuns e à Bônus-Banval. Uma conta-mãe, que repassava dinheiro para as demais, começou a ser abastecida em 07 de janeiro de 2003, muito antes do primeiro “empréstimo”, feito em 25 de fevereiro desse ano. Ele foi contraído pela SMPB, no valor de R$ 12 milhões, junto ao BMG. Entre o dia 07 de janeiro de 2003 e o dia do empréstimo, 25 de fevereiro, ele abasteceu a conta-mãe com R$ 1,7 milhão. O governo Lula começou no dia 1º de janeiro de 2003.”
PARTIDO-PÚBLICO-PRIVADO
“Todas as garantias são recursos públicos e contratos de publicidade com órgãos públicos. As empresas de Marcos Valério tiveram um incremento expressivo em contratos de publicidade e aditivos. E há um movimento claramente identificado pela CPI: mesmo quando o publicitário fazia contratos com empresas privadas, parte do dinheiro dos contratos era depositado nas contas do publicitário, e parte do dinheiro pago ia para aquela conta-mãe, que , por sua vez, abastecia o valerioduto-delubioduto”
ABRIDOR DE PORTAS DO RURAL
“O Banco Rural era acionista do Banco Mercantil de Pernambuco. No primeiro depoimento de Valério à CPI dos Correios, ele negou que tivesse estado no Banco Central para defender interesses daquela instituição financeira. É certo, porém, que ele freqüentou o BC para intermediar o fim das liquidações do Mercantil e do banco Econômico. No último depoimento à CPI, ele já admitiu que esteve no BC três vezes. Por que um publicitário iria lá para tratar da liquidação de uma empresa financeira? E há a informação de que não foram três, mas 17 vezes, 13 delas em Brasília e quatro em São Paulo. A verdade é que o Rural teve em Marcos Valério um facilitador de negócios junto ao governo, como afirmou a presidente do banco, Kátia Rabello, em depoimento no Congresso.”
DUDA E DOLEIROS EM AÇÃO
“Os bancos que fizeram os repasses para a conta do publicitário Duda Mendonça têm ligação direta ou indireta com o Rural. Foram eles: o Banco Rural Europa, com sede na ilha da Madeira (Portugal), o International Rural, com sede em Nassau (Caribe), e a Trade Link, que não é do Rural, mas tem operações comerciais constantes com o banco de Minas, como disse Kátia Rabello. E os indícios apontam que as empresas off-shore que abasteceram a conta de Duda Mendonça, a Dusseldorf, por meio das subsidiárias do Rural no exterior, são empresas de doleiros ou com as quais eles operavam, como a Kanton e a Radial Entrepise.”
LAVAGEM PURA
“As triangulações feitas com o dinheiro e o uso de dezenas de intermediários,a começar pelas corretoras, são típicas de ações de lavagem de dinheiro. Quanto mais gente envolvida, mais diluídas e confusas ficam as responsabilidades.”
DELÚBIO-LULA
Delúbio Soares, até pela proximidade com o presidente Lula, mais do que o ex-ministro José Dirceu, foi a pessoa que abriu as portas do governo para Valério”
Visto tudo isto, fica clara a responsabilidade governamental e a montagem do maior esquema de corrupção (que não é a apropriação privada dos recursos públicos em que temos como exemplo Paulo Maluf, mas sim a corrupção leninista, aquela em que há aparelhamento do Estado, com o subseqüente desvio de recursos públicos para financiamento partidário, como definiu o professor Denis Lerrer, da UFRGS) jamais imaginado na história republicana brasileira.
Assim como, há uma confusão visual generalizada em que “aponta-se elefantes e enxergam borboletas” (nas palavras do jornalista Arnaldo Jabor) possibilitada e, sobretudo, financiada por programas meramente assistencialistas e eleitoreiros que absolutamente não dão condições básicas, diferentemente do que era o conceito do Programa Bolsa-Escola do governo FHC. A ordem do governo para 2006, independente do Orçamento aprovado pelo Congresso, é concentrar praticamente todas as verbas sociais no Bolsa-Família, que deve consumir até R$ 10 bilhões, contra os R$ 8 bilhões deste ano. A versão do Orçamento que foi para o Congresso, no fim de agosto, já cortou R$ 18 milhões dos programas de erradicação do trabalho infantil. O Ministério do Planejamento mandou aplicar no Bolsa-Família.
É imprescindível o PSDB atentar para a incumbência que lhe é dada, sobretudo a de zelar pelo processo democrático, pelo aprimoramento da democracia e pelo império da lei. Já nos mostramos extremamente incompetentes ao lidar com esta crise. Errar é possível, insistir no erro é inaceitável.
O padre Antônio Vieira em História do Futuro, editada[a obra] recentemente pela Universidade de Brasília(UNB), escreve que “as nuvens que Deus põe sobre a profecia, o tempo as gasta e as desfaz, mas os véus que os homens lançam sobre os próprios olhos, só eles os podem tirar porque eles são os que querem ser cegos”.
Por isso, é o momento de nos aproximarmos daqueles que estão “cegos” ou com a visão confusa e puxar, retirar o véu que os impede de enxergar. E de uma vez por todas, reduzir o PT ao que representa, de fato, para a história política brasileira, ou seja, a incompetência, a irresponsabilidade, a demagogia, a corrupção, o autoritarismo, o sectarismo(na acepção impositiva), o maniqueísmo e fisiologismo políticos, não com o objetivo de afasta-los definitivamente da vida pública brasileira, pois não somos anti-democráticos e intolerantes, entretanto com a responsabilidade de demonstrar o que é o Partido dos Trabalhadores e não permitir mais que os partidários do Totalitarismo Moderno e neomaquiavélicos ocupem a direção do nosso país.
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